quinta-feira, 30 de junho de 2011

Covilhã - Instituições Primitivas de Solidariedade Social II

[...] A existência da Albergaria de S. Pedro comprovada pela já citada doação de Pêro Guterres em 1207, e o facto de, desde o princípio da fundação da Misericórdia, o hospital existir sempre ao lado da Velha Igreja de São Pedro, como que a justificar a primitiva invocação dada à Albergaria, tudo isto nos leva a perguntar se entre a primitiva Albergaria de São Pedro, a confraria da Alâmpada e o hospital da Misericórdia não existe um nexo de continuidade?
            A poder provar-se documentalmente esta justificável presunção, pois não passa duma simples presunção, teríamos estabelecida a linha cronológica duma instituição de caridade da Covilhã, que embora sob formas diferentes e regida por compromissos diversos, desde a Idade Média até aos dias conturbados de hoje, permaneceu inalterada na sua função de bem fazer. (1)
            A administração do hospital passou depois, com a instituição da Misericórdia, para esta, embora ainda nos fins do século XVI a Confraria da Alâmpada presistisse’’ e até concorresse com duzentos reis para a sustentação da mesma misericórdia, como consta nos livros de receita dessa época, sob a epígrafe “Titelo dos prazos que se devem a esta casa, que carregam sobre ho Tisoureiro“. Daqui se conclui que a confraria coexistiu com a misericórdia, pelo menos durante um século.
Sabemos através do Tombo dos bens do benaventurado Senhor Samllazaro, que adiante transcrevemos por ser ainda inédito (2), que anteriormente a 1500, que é a data da sua feitura, outro tombo mais antigo existia, mas era já tão velho que se não podia ler. Pela importância das propriedades enumeradas, podemos hoje verificar a importância desse hospital no princípio do século XVI.
É singular que a organização do tombo quinhentista coincida exactamente com a época mais em evidência na reforma das instituições de assistência, como já referimos ao iniciar este capítulo. Parece, assim, que ao mesmo tempo que as misericórdias se constituiam, se procurava saber de uma forma concludente o estado económico das outras instituições similares. No lazareto, ao contrário do que aconteceu com o hospital ou albergaria, manteve-se a independência da instituição sob a administração da Câmara, costume que de certo provinha do princípio, embora a mercê de procurador da casa fosse privilégio dado pela coroa e, a mesma instituição continuasse sob a fiscalização directa do provedor das albergarias, hospitais e resíduos da Comarca da Beira, exactamente como as misericórdias e a obra dos cativos. Somente o que se verifica é que por todo o século XVI o Lazareto vai perdendo importância, uma das propriedades que constituía o núcleo da sua armadura económica – o prazo de São Lázaro – vai enriquecer o património em formação da Misericórdia, e a própria ermida em ruínas dá lugar a uma curiosa questão entre os vereadores da Câmara e o Visitador do bispado da Guarda. A lepra deixara de assumir aquele carácter epidémico, foram-se tornando raros os casos de moléstia entre a população e assim foram caindo as instituições que estavam adstritas à sua assistência. Podemos, pois, afirmar que a leprosaria deixou praticamente de existir no século XVI e o seu património, à excepção do prazo acima referido, integraram-se no património municipal.
                        É curiosa a informação que desta ermida nos dá, no século XVIII, o Padre Cabral de Pina, (3) na sua já citada monografia :

a sexta hermida he a de S. Lázaro, também da freguesia de S. Paulo. Está situada fora da Vila, para a parte do Nascente em distância de mil passos, pouco mais ou menos, e no sítio onde existe a primeira fundação da villa. O teto della arruinou e tem só as paredes por cuja causa a imagem do Santo foi condusida para a dita igreja de S. Paulo onde existe. A fábrica desta hermida pertence à Câmara desta villa por causa das fazendas abaixo declaradas, e sobre o reparo della, os párocos da dita igreja lhe tem feitos vários requerimentos sem terem efeito.
No tempo em que esta hermida estava decente e o santo nella colocado, acudião alli muitos romeiros movido dos milagres que fazia como advogado das moléstias. Ao pé desta hermida, no tempo da primeira fundação da villa, havia um hospital chamado da Gafaria onde se curavam os leprozos e outros enfermos pobres: porque nesse tempo tinha muito rendimento de fazendas para isso deputadas; e como ele se extinguiu tomou a câmara desta villa conta dellas e as apropriou, e ficou correndo com a fábrica desta hermida. Muitas fazendas andam hoje sonegadas, as outras ainda existem, e pagam foro à mesma câmara. Em outro tempo havia nesta hermida hermitão appresentado pelo Parroco de S. Paulo.”

O Doutor João de Macedo Pereira Forjaz, nos primeiros anos do século XIX, escreveu também uma monografia da Covilhã (3) e deixou-nos a seguinte referência a S. Lázaro:

“ 4ª- A de São Lázaro de que também falámos, que está demolida, e foi antigamente hospital de leprosos; jaz ao fundo da Serra, e como já se disse, onde foi a antiga Covilhã; o seu Tombo foi renovado, sendo Juiz de fora da dª  villa Rui Caldeira em 7 de Novembro de 1500, consta dele entre muitas fazendas que tem a que transcrevo pera demonstração e prova do sítio e logar da antiga vila. “ Um cerrado grande d’olival junto com a dita gafaria, cerrado ao redor com paredes, que parte do caminho que vem da villa, por diante da parte do cerrado de S. Francisco do Convento velho, pelo rego d’ água, até ao caminho da Dorna, que vem da mesma vila, e daí, com uma propriedade do prior de S. Tiago e daí acenar com um caminho que vem da Vila, por S. Francisco o Velho, paga de foro 47 rs”...- No dia de S. Lázaro se fazia uma boa feira junto da sua capela; hoje se faz no Pelourinho da dª  vila. “        

            Na monografia do Padre Pina há apenas que rectificar que a gafaria ainda existia no século XVI e que não é crível que, coexistindo o hospital albergaria de S. Pedro com a gafaria de S. Lázaro, os doentes, molestos de outras enfermidades, fossem internados na Gafaria, havendo já nas populações dessa época, uma consciência perfeita, do carácter contagioso da lepra.
            A localização da Leprosaria parece estar absolutamente definida, se nos lembrarmos que ainda existe hoje na Covilhã um local chamado Cerrado, mesmo à beira de S. Francisco velho, onde são hoje (4) os terrenos que constituem a Escola Industrial, em cuja propriedade existe ainda hoje um local chamado o “mirante dos frades“, assim como na toponímia local existe ainda com a antiga denominação a Quinta da Dorna. Quanto à Igreja paroquial de Santo Estêvão, mencionada na Doação de Pêro Guterres , nenhuma das antigas monografias da Covilhã lhe faz referência, perdendo-se até hoje a memória da sua localização. Em trabalho posterior não nos absteremos de voltar ao assunto, visto ser esta uma das velhas igrejas paroquiais da Covilhã, constantes do Catálogo das Igrejas e Mosteiros do Reino, de 1320.
            A gafaria, além de sujeita ao provedor dos hospitais e gafarias da Comarca da Beira, como já referimos, tinha um procurador, um escrivão e oficiais.
            Temos conhecimento duma dessas mercês régias que nomeavam os procuradores da gafaria de S. Lázaro e através dela sabemos os nomes de dois dos seus procuradores. É a mercê a Fernão Roiz de Castell Branco que substituiu no cargo o boticário Luiz Pirez, em 30 de Março de 1514. A mercê é de D. Manuel e consta do livro 15 da sua chancelaria, a folhas 23, verso. Diz assim:

“ Dom Manuel etc. A quantos esta nosa carta virem fazemos saber que queremdo nos fazer graça e mercê a fernam Roiz de Castell branco confiamdo dele que em esto servera bem e como compre a serviço de deos e noso temos por bem e o damos d     aquy em diamte por procurador da cassa e gafaria de sam lazaro da nosa cjdade de covjlhaam e asy e pella guisa e maneira que o ate quy foy lujs pirez boticairo que o dito oficio tinha e se fynou e porem mamdamos ao provedor dospritaees gafarias etc na dita comarqua e ao veador e sprivãao e oficiaes da dita gafaria e a outros quaesquer oficiaees e pesoas juízes e justiças a que o conhecimento deste pertemçer e esto noso alvara for mostrado que ho metam em pose do dito ofiçio e lho leixem usar e aver todo mamtimento proees e percalços a ele direitamente ordenados asy asy ( sic ) e como o avia o dito luís pirez e milhor se o ele milhor e com direito poder aver sem niso lhe ser posto duvyda nem outro embargo porque nos o avemos asy por bem / o qual fernão Roiz jurou em a nosa chancellaria aos samtos avamgelhos que bem e verdadeiramente e como deve obre e use do dito oficio guardamdo a nos noso serviço e ao povo seu direyto / dada em a nosa çidade de lixboa a xxx dias do mês de Março amdré pirez a fez anno de mill e bc e quatorze (1514) annos.”

Reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias

Notas dos Editores – 1)Achámos conveniente transcrever os dois últimos parágrafos do último texto “Instituições primitivas de solidariedade social”, apresentado em 8 de Maio. 2)Contamos transcrever parte do Tombo. 3) Ver neste blogue: “Covilhã – Memoralistas ou Monografistas”. 4)Este texto deve ter sido escrito pelo autor na década 50 do século XX.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Covilhã - Sobre o Processo de Gonçalo Vaz VI

Transcrevemos hoje os depoimentos das testemunhas que intervieram no Processo de Gonçalo Vaz na Inquisição de Lisboa.
Algumas das pessoas nomeadas no processo encontram-se referenciadas na Lista dos Sentenciados na Inquisição que estamos a apresentar e nas inscrições na Universidade de Salamanca em 1567/68 que já apresentámos.
Queremos deduzir, quer das declarações do réu Gonçalo Vaz que já apresentámos, quer das das testemunhas que intervieram no processo alguns rituais e costumes dos cristãos novos, pois os processos de Granada e de Lisboa foram levantados precisamente por suspeitas de práticas judaicas do cristão-novo Gonçalo Vaz.
 As testemunhas de acusação são habitualmente cristãos velhos (Cristãos não de origem judaica ou outra) que poderão estar prontos a incriminar o réu. Todas estas declarações talvez devam ser sujeitas ao “crivo da verdade”, dado que é difícil sabermos se foram mesmo proferidas pelos depoentes, ou se foram postas pelos escrivães na boca dos intervenientes no Processo.
Gostaríamos de vir a receber comentários de conhecedores do judaísmo que permitam perceber se ainda hoje estas práticas se mantêm, se são diferentes ou mais completas.

Observemos agora uma síntese dos depoimentos das testemunhas, no respeitante a rituais e costumes judaicos:
 - Vivem na Rua Nova e há uma testemunha que considera errado viverem todos na mesma rua e no mesmo bairro, porque mais facilmente praticam os seus costumes sem serem vistos.
- Guardam os sábados.
- As cerimónias são em conjunto e na presença de um rabino ou de uma mestra e de porta fechada, embora alguns cristãos novos guardem o Sábado sozinhos.
- Nas sextas-feiras à tarde limpam e varrem as casas, limpam os candeeiros em que lançam azeite novo e põem torcidas novas que acendem mais cedo que o costume e ficam acesas de noite até se apagarem; põem lençóis lavados na cama; perfumam a casa.
- Ao sábado vestem melhor, usando roupas limpas, especialmente camisas e toucados, calçado novo e enfeitam-se como em dia de festa. Trabalham muito menos que noutros dias. Não se costura aos sábados, mas sim ao domingo, na cama, antes da missa e frente ao marido.
-“Fazem um certo comer” em loiça nova e em que só a dona da casa mexe. Confeccionam-no de 6ª para sábado. Põem a mesa com muita solenidade e comem ovos, grão e peixe que aquecem no sábado num pouco de borralho. Há também um manjar com azeite e pescada. Fazem pão ázimo, não finto, nem lêvedo.
- Os jantares de sábado e as ceias são mais abundantes e melhores e até à criada dão pão alvo, enquanto durante a semana era de centeio.
- Na quinta-feira Santa (de Endoenças) comem um cordeiro cingidos com umas toalhas e com saiados nas mãos.
- Nas outras quintas-feiras jejuam, só comendo quando já há estrelas no céu.
 - Jejuam aos dez dias da lua de Setembro. Este dia era tão importante que ”até os gatinhos jejuam”; é como a festa da Páscoa. Jejuavam também às segundas e quartas da Quaresma.
- Ordenham uma cabra para uma panela nova, sem medir, nem coar, nem tocar em nada, nem enxaguar a panela e sem nada dentro numa 6ª feira de Endoenças. Por altura das Endoenças (Semana Santa) a dona da casa escolhe trigo à mão, manda moer, peneira por peneira nova muito basta, guarda a farinha e só ela amassa (com outro trigo não era assim). Depois faz uns bolinhos do tamanho de patacões (1). As testemunhas partiram um nos olivais da Fonte das Galinhas e acharam que não tinha sal, nem fermento e que era muito enresinado por dentro. A dona da casa amassava estes bolos numa gamela nova que não servia para outra coisa. Estes deviam ser feitos numa fornalha num sótão da casa, porque no dia-a-dia o pão era cozido fora. Neste sótão também iam rezar às sextas-feiras. Estes bolos eram comidos só na Quaresma, às sextas-feiras à noite. A patroa nunca come carne de porco. Da carne da rês miúda tirava o soro junto das costelas. O pão comum era amassado pela empregada, tendido pela ama e às vezes a massa era envolvida nas mãos e lançada nas brasas.
- Às quartas lançam farinha sobre as “comeeiras” das portas e janelas. Não explicam a razão.
- É também referido que no tempo das uvas, no mês de Setembro, a uma quinta-feira se vestiram para festa e solenidade. O curioso é a testemunha na altura ter julgado que estariam a festejar a triste nova – para os cristãos-novos seria boa notícia - do desastre de Alcácer-Quibir. (2)
- Juntam-se no dia da Rainha Ester que já vimos ser em Fevereiro.
- Quando têm familiares presos não fazem todos estes rituais.
- Tinham cuidado para que a empregada não fosse ao Castelo (onde ficava o Visitador Marcos Teixeira, o inquisidor) e prometeram-lhe muita coisa para ela não falar.
- A família de Gonçalo Vaz tinha um livro tão importante em casa, do qual dizia que, se fosse descoberto, todos seriam incriminados.
- Enquanto o Inquisidor esteve na vila, o casal Vaz não se despia para dormir. Seria para fugirem mais depressa? Talvez até utilizando a ligação que as casas tinham entre si pelos sótãos.

Notas dos editores – 1) Moeda. 2) A Batalha de Alcácer-Quibir, onde desapareceram muitos portugueses e D. Sebastião, foi em Agosto de 1578 e as testemunhas foram ouvidas mais tarde.

Transcrição dos testemunhos contra Gonçalo Vaz no seu Processo da Inquisição de Lisboa

Gonçalo Vaz
Procº de Gonçalo Vaz, nº 7772 Inquisição

Sua entrega ao Alcaide do Cárcere - 17 / 3 / 1584
Sua apresentação à Inquisição de Lisboa
[…]
Processo em Portugal

Culpas contra Gonçalo Vaz, cristão-novo, mercador, morador na vila da Covilhã
(rectificado no processo de Isabel Roiz)

Testemunha António Feo: - 9 / 7 / 1579, nas casas onde pousava o Snr. Licº Marcos Teixeira, inquisidor, compareceu Antº Feo, clérigo de ordens de Epístola, nesta vila, morador no arrabalde, na rua de S. Domingos, de 26 anos: por morar perto dos xx. nn., vê que guardam os sábados e vestem melhor nesses dias, se ajuntavam pessoas em casa de Leonor de Cáceres, x. n., viúva, e outras em casa de Gonçalo Vaz, mercador, e as que o tem feito são Joana e Isabel Roiz e Leonor Rodrigues, irmãs, filhas de Francisco de Cáceres, já defunto, e casadas com António Frz. mercador, e com Gonçalo Vaz, mercador, que dizem ser o rabino dos xx. nn., da Covilhã, e Leonor de Cáceres também é mestra, e a ela e a Gonçalo Vaz os x. n., dão grande obediência e têm com eles grande comunicação “ Que tem por grande serviço de Nosso Sñor não deixarem viver os xpãos novos todos iuntos em hum bairro nem em hua rua porque mais a seu salvo fazem suas cerimónias fiandose hus dos outros. E que isto da goarda dos sabbados he tão costumado antre as pessoas desta nação e se usa tanto nesta terra que tem pera sy em Ds e sua consciência que casi todos os goardão pello que nelles vee e que andão apartados de nossa sancta fee catholica e que se deve de dar meio por onde cessem estes erros. “

Testemunha Manuel Ravasco, no mesmo dia, x. v., que estuda medicina em Coimbra e natural da Covilhã, morador em Santa Marinha, 24 anos, que haverá 9 anos estando na Universidade de Salamanca ouviu dizer antre os portugueses que G. Vaz, mercador, que estudava leys e dois filhos de Diogo Roiz Picão, seus cunhados, que se chamam Diogo e Jorge, todos os três naturais desta vª, comeram um cordeiro qtª feira de endoenças e denunciaram deles e os dois irmãos se absentaram sem mais parecerem tee agora e Gonçalo Vaz tb. andou absente dous ou três anos, e dizem que foi pedir perdão a Roma e está nesta vª.

Testemunha Francisco Giraldes, no mesmo dia, x. velho, cardador, morador na freguesia de Stª Marinha, desta vª, 33 anos. Há 3 ou 4 anos trabalhando na casa de Gº Vaz, na rua Nova, porque ouviu que em Salamanca com seus cunhados fizera cerimónias dos judeus, comera lá o cordeiro, cingidos com umas toalhas e com saiados nas mãos e que fora pedir perdão a Sua Santidade e porque ouviu dizer que os judeus jejuavam às quintas feiras e por o não ver comer às horas costumadas suspeitou que jejuava e para apurar isto em outra quinta feira que era de quaresma, disse a seu irmão Gaspar que ficasse ali e o olhasse a ver se comia, enquanto ele testemunha não vinha e só o viram comer a horas em que havia estrelas no céu.
Mandou o dº Gº Vaz buscar ao Gaspar, leite, numa sexta feira de endoenças e recomendou-lhe que na panela, que era nova não deitasse nada e ordenhasse a cabra para lá.

Testª Ldº. António Gomez, prior de Santa Marinha ( 11 de Julho ) e nela morador, que haverá oito ou nove anos estando na Univ. de Salamanca ouviu dizer a Rodrigo Jacome, estudante que naquele tempo era, e é filho de Jacome Roiz, boticário desta vª e agora é já médico e cura em Castela, x. n., e a Antº Cam, x. velho, estudante, natural desta vª que he nas partes da Índia e a Simão Roiz, médico em Penamacor, meio x. novo que Gº Vaz comera um cordeiro com os cunhados referidos já, e foram denunciados perante mestre Sancho, que em Salamanca era comissário do stº. ofício; ele denunciante tb. foi perguntado. Repete que os dois irmãos desapareceram e que diziam que Gº Vaz fora a Roma.

Testª Caterina Antunes: - 12 de Julho - No Mosteiro de S. Francisco, na capela de Jorge Cabral, x. velha, mulher de Diogo Vilela, tintureiro, 30 anos; que há 10 anos a esta parte, por viver na R. Nova, sabe que os x. novos, guardam o sábado, jejuam a 10 dias da lua de Setembro, nas sextas feiras à tarde guardam e limpam as casas, vestem neste dia roupas limpas, especialmente camisas e toucados limpos ao Sábado - trabalham muito menos que nos outros dias, e em Setembro comportam-se como em dia de Páscoa. Ajuntam-se em casa de Leonor de Cáceres, mulher que foi de Miguel Roiz, já defunto, que foi já preso pelo stº. ofício, a qual dizem que é grande mestra e em casa de Gonçalo Vaz que faz panos e é filho do Ldo. Fernão Vaz; este ano, no dia da Rainha Ester viu ir a casa deste onde estava sua mulher Leonor Roiz, Isabel Roiz, mulher de António Frz, mercador, irmã desta, com uma filha chamada Leonor e estavam com a porta fechada.

Testª António de Proença, meirinho desta vª, nela morador, (14 de Julho) 45 anos, Viu muitas vezes entrar em casa de Leonor de Cáceres, mestra de x. novos, que mora na freguesia de S. João ( do Hospital ), enfeitadas como em dia de festa, a mulher de Gº Vaz, que já foi penitenciado e tem em muito má conta, por ser seu vizinho, e por ouvir dizer, a uma criada chamada Maria, que é detraz da Serra, que na casa dele se fazia um certo comer em só sua mulher punha a mão, em louça nova, e que lá iam comer os x. novos.
Hector frz, notário do stº ofício o escreveu.

Testª Manuel Frz, cardador, x. velho, morador nesta vila, defronte de S. Francisco, 24 anos, que nesta sexta feira de endoenças, faz dois anos, mandou comprar uma panela nova a um moço já defunto, filho de André Vaz e fosse buscar um pouco de leite e desse por ele o que lhe pedissem mas que havia de ordenhar na própria panela, sem medir, nem coar, nem tocar em outra coisa nenhuma, nem enxaguar a panela, e que não tinha ninguém doente em casa: que ouviu dizer a F.co Geraldes, cardador, morador em Sta. Marinha que o dº Gº. Vaz rezava os salmos de David sem gloria patri, que estava um dia sem comer e que ele tb. sabe do leite.

Testª Diogo Vilela ( 15 de Julho ), x. novo, tintureiro, morador na R. Nova, 30 anos, que por viver na R. Nova e ter muita comunicação e amizade com os x. novos, especialmente com Miguel Vaz, tosador e com Leonor Roiz, sua mulher, que tem por muito bons cristãos que lhes descobriram alguma coisa que eles como apartados da fé costumam fazer.
Os sobreditos x. novos é que lhe chamavam a atenção para os factos aliás já todos apresentados por outras testemunhas.

Testª António Roiz, mancebo, solteiro, filho de Francisco Roiz, da pedreira, cardador, de vinte e dois anos, que trabalhou em casa de Gº Vaz, três anos a esta parte, morador em S. Domingos. Guardavam os Sábados, varriam a casa às sextas-feiras, limpava os candeeiros em que lançava azeite limpo e punha torcidas novas e os acendia mais cedo que nos outros dias e ficava aceso de noite e depois de se alevantar  se estava aceso não o apagavam, lançava lençóis lavados na cama, faziam o comer de sexta para sábado, jejuavam 2ª e qtas da Quaresma e nestes dias punham a mesa com muita solenidade e   comiam ovos, grão e peixe e por uma sua moça lhe dizer, que costumam em qta feira de endoenças lançar farinha sobre as comeeiras das portas e janelas, o que atentando viu. É muito amigo do Réu por boas obras que dele recebe.


Testª Isabel de Jesus:- 12 de Agosto. - No mosteiro de Stª Clara da Guarda, religiosa professa do dº mosteiro há 8 ou 9 anos pouco mais ou menos estando ela doente de uma grande enfermidade, curou-a o Dr. Antº Vaz, x. novo, morador e físico nesta cidade da Guarda e perguntando-lhe ela quando lhe ensinava os erros declarados na sua denunciação, se sua mulher era judia e tinha mostrado isto a outra pessoa, respondeu que sua mulher era boa xristã e que não sabia isto dele mas de seu irmão Gonçalo Vaz, que tb. era letrado e que lhe ensinara a ser judeu e que pelo o culparem fora a Roma; e segundo sua lembrança lhe disse que o não culpara a ele, e assim lhe disse que mais sentiria culpar ella a seu irmão por se ter já acusado que a ele.

5 de Agosto
Francisca Dias, na Guarda, trazida por Francisco Mexia, meirinho da visitação, esta mulher que disse ser x. velha, moradora na vª da Covilhã, na R. de S. Domingos: por haver informação que dissera que não havia de confessar nada por ser muita amiga dos x. novos e que fora a casa de Gº Vaz e quando este lhe perguntou o que na missa do stº ofício se passara, lhe contou tudo.

Declaração de Hector Frz., de que tudo tresladar em forma. Lisboa 10 / 5 / 1581. 
[…]

Testemunhas
- 7 / 7 na Covilhã e pousadas de Estevam Magro
Ana Glz, mulher de Domingos Glz, de alcunha o almotacel, x. velha, 22 anos - que sabia que a mulher de Gº Vaz guardava o sábado - o mesmo fazia Isabel Dias e sua filha Leonor Dias e faziam jejuns tb. com Leonor Glz, mulher de Fernão Roiz, o piqueño, com louça nova, certo manjar com azeite e pescada. Que ouviu dizer a uma Isabel Teixeira, mulher de António Frz que a Leonor Roiz, mulher do dº Gº Vaz: guarda dos sábados, comida às sextas, pão ásimo; tb. viu o dito pão em casa de Isabel Dias, sem embargo de o não comer mas que o conhece por não ser finto nem lêvedo; um dia saiu a dita Isabel Dias, sua ama, enfeitada, vestida com camisa lavada e toucas lavadas e calçado novo e acompanhada de sua filha, fora do costume, em dia de trabalho.
3 / 6 / 585 - a mesma
Perguntado se lembrava do seu depoimento disse que não e pediu para lhe ser lido, confirmou e assinaram e deram fé os Revdºs padres o Dr. Francisco Nunes, Vigário e reitor da Igreja de Nossa Senhora, matriz desta vª e o Dr. António de Sequeira a quem pareceu que a testª falava verdade.
[…]

28 / 6 / 584 - Isabel Teixeira, mulher de António Frz, cardador, x. velha, 20 anos, disse que tinha algumas coisas respeitantes ao sto. Ofício.
Diz que viveu por soldada por espaço de 7 anos com Gº Vaz e Leonor Roiz: a sua ama pelo tempo das endoenças escolhia trigo à mão, que mandava moer, peneirava por peneira nova muito basta e tirava o olho daquela farinha e o guardava e ela só amassava, costumando a outro trigo mandá-lo fazer por ela denunciante, fazia uns bolinhos do tamanho de patacões; dando ela conhecimento do caso a Ana Gtt (que já depôs) ela lhe disse que sua ama Isabel Dias, mãe do dito Gº Vaz fazia os mesmos bolos; havendo ambas as sopeiras um à mão o partiam ambas nos olivais da Fonte das Galinhas, o qual bolo julgaram não ter sal nem fermento, muito enresinado por dentro e este bolo achou a denunciante à cabeceira da cama da dª Leonor Roiz; esta o procurou com muita diligência; Leonor Roiz amassava estes bolos numa gamela nova, que não servia de outra coisa e que tb. são raspadoura apartada para a dita massa, vira comer os ditos bolos nas sextas feiras à noite à dª sua ama e a Antónia Roiz, sua mãe e isto via pelo buraco da câmara, Antónia Roiz, que costumava dormir com a filha a dª Leonor, que quando estava só fazia a mesma coisa; o comer fazia-se às sextas feiras e era grão, peixe e ovos, que nos sábados aquentavam num pouco de borralho. Leonor Roiz perfumava as casas à sexta feira e lançava lençóis na cama lavados nesse dia, excepto depois da prisão de sua irmã Isabel; Gonçalo Vaz vestia roupa lavada a domingo, embora antes das prisões dos parentes o fizesse tb. às sextas, algumas vezes; tb. os lançavam na cama dela porque jaziam lá os seus meninos; não costurava aos sábados a ama, mas muitas vezes o fazia ao domingo, na cama, antes da missa e perante o seu marido. Os jantares de sábado e as ceias eram mais abundantes e melhores e a ela davam-lhe nesse dia pão alvo, comendo pela semana centeio; somente rezavam Leonor Roiz e sua mãe antes de cear; nas sextas feiras, num sobrado mais alto da casa, o que não faziam nos outros dias.
Estando Marcos Teixeira na vila, altercando ela com a patroa, esta lhe disse que não lhe falasse soberba porque eles todos queimados valia mais a sua cinza que todo Marcos Teixeira; e que entrando ela sopeira um dia de Fernão Vaz, já defunto, ele altercava com o filho Gaspar dizendo: porque me levas o meu livro fora pois sabes que só esse livro nos podem queimar a todos. Disse mais que a dª Leonor Roiz não comia carne de porco magra nem gorda nunca e da carne da rez miúda tirava o sem junto das costelas e ela o tirava tb. por seu mandado e que posto que ela denunciante amassava pão ordinário ela, sua ama, Leonor Roiz o tendia e lançava muitas vezes massa nas brasas emborilhada nas mãos dizendo que era para os meninos; que Gonçalo Vaz quando foi preso a mandou chamar à cadeia e lhe pediu que não testemunhasse contra eles, que sempre falasse por sua boca e que a não enganasse palavras de Estevam Magro; que não lhe satisfizeram seu serviço, mas fizeram-lhe grandes prometimentos que vindo o fariam muito bem com ela ( à margem : havia dois meses que estava fora de casa )
6 / 7 / 584 - 2º depoimento da mesma
Que soube que certas coisas que a ama fazia eram de judia - porque a Ana Gtt. a avisara que olhasse a ama porque eram de judia essas coisas. Que pensava que os bolos se faziam numa casa que estava no alto da casa, numa fornalha, porque o pão ordinário ela o levava a cozer fora; fora da quaresma não se recordava de ver os dºs bolos.
Dizia Gonçalo Vaz, às vezes à mulher : “ Leonor Roiz muito vos fiais desta nossa Teixeira, ao que ela lhe respondia : se fio, porque se for necessário tomar vinte juramentos por amor de mim o há-de fazer “.
Até a prisão de António Vaz, irmão do Gonçalo, dava-lhe ordinariamente as camisas à sexta feira. Depois da vinda de Leonor de Cáceres, de Coimbra, nunca as vestiu à sexta feira, ela Leonor Roiz.
Não disse isto perante Marcos Teixeira, porque a não requereram para isso, nem os seus amos a deixavam vir ao Castelo onde o dito inquisidor pousava, antes a vigiavam se vinha e em todo o tempo que o dito inquisidor esteve na vª os seus amos não dormiam despidos.
[…]
Aos 12 / 7 / 579 - ( Cnª. Antunes )
- Leonor de Cáceres e suas duas filhas que tem em casa Beatriz Soares e Francisca da Silva e outra que se chama Branca Glz ( paz ? ) Guiomar Roiz, mulher de Manuel Vaz, mercador e Serena Mendes, mulher de Rodrigo de Matos, alfaiate, Beatriz Soares, viúva; e Branca Roiz, viúva, irmã de Leonor de Cáceres; Isabel Roiz, viúva, mulher de Francisco Roiz.
- Leonor Roiz, mulher de Diogo Feijó, a qual disse um dia a ela denunciante que desejava viver onde vivesse pouca gente onde ninguém lhe soubesse sua vida e ver-se morta com ela para se saber qual andava errada e por ela denunciante lhe responder que Cristo vencera e que assim havia ele de vencer, disse a dita Leonor Roiz, como zombando, assim seria; também viu guardar a mesma festa a Guiomar de Matos, meia x. nova, mulher de Manuel Lopes, x. velho e ouviu dizer a Leonor Roiz, mulher do dito Miguel Vaz, tosador, que Isabel Roiz, x. nova do Fundão, filha de Leonel Roiz, que daqui se foram para lá e é casada, não sabe com quem, dissera que naquele dia de Setembro até os gatinhos jejuavam e que a filha mais velha de Leonor de Cáceres dissera à dita que se guardasse dela denunciante que lhe fizera quebrar um jejum.
Viu guardar a dita festa de Setembro a Gaspar Dias, filho solteiro do Licenciado Fernão Vaz e a Carlos Roiz, filho de Francisco Roiz Piquã.
- No mesmo dia - Manuel Fernandes, cardador, - o mesmo que declarou atrás.

- 15/7/579 - Diogo Vilela
- Leonor Mendes, mulher de Manuel Mendes, mercador e sua filha solteira Violante Mendes, mulher de Francisco de Flores que já foi penitenciado pelo Sto. Ofício;
- Filipa Nunes, viúva, mulher que foi de Diogo Vaz, que também foi presa e penitenciada a qual se enfeita por ser viúva e sua filha Branca Roiz; António Frez ( ? ) mercador e sua mulher Isabel Roiz, viúva, sogra do dº Manuel Mendes que é tida por Mestra e foi-se já apresentar ao sto. ofício. Tem para si que todos os x. novos de sua rua e daquele bairro os guardam e vivem apartados de nossa Santa Fé e “ dos homens não conhece tanto por serem mercadores e costumarem sempre folgar e andar fora de suas casas “
- Leonor de Cáceres e suas filhas Beatriz Soares e Francisca da Silva, sua sobrinha também Beatriz Soares, mulher de Francisco Roiz, mercador e Maria, sua filha que é já mulher; e Beatriz Soares, viúva, também sua sobrinha que veio para aqui da Guarda; e Guiomar de Matos, mulher de Manuel Lopes, cristão velho que elas mantém e Maria, sua filha que é já mulher; Carlos Roiz é mercador, alguns o guardam sozinhos em sua casa.
- Jorge Roiz, tosador; e Francisco Fernandes, sapateiro; Duarte da Fonseca Morão e disto saberá Catarina Pais, cristã velha, mulher de Pero Dias, rendeiro das penas que vive na freguesia da Madalena e tem para si que muitos outros cristãos novos e  cristãs novas celebram esta festa mas como não viu coisa em particular não os nomeia.

- No mesmo dia, António Roiz
Isabel Roiz, cristã nova, mulher de António Fernandes Cáceres e sua filha Leonor Roiz que está em casa; e o ano passado pelo tempo das uvas, no mês de Setembro numa Quinta Feira, que é o tempo em que a esta terra chegou a triste nova de África, se vestiram de festa e guardaram aquele dia em grande solenidade: “ teve ele denunciante para si que faziam esta festa pelo grande contentamento que mostraram pelo desbarate de África mas agora que ouviu ler o édito da fé lhe parece que o faziam por cerimónia judaica “ e al não disse.
[…]

domingo, 26 de junho de 2011

Covilhã - Lista dos Sentenciados na Inquisição X


Lista dos Sentenciados no Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora, originários ou moradores no antigo termo da Covilhã e nos concelhos limítrofes de Belmonte e Manteigas

241    Maria Henriques, x.n., de 21 anos, natural  e moradora na Covilhã, filha de Henrique Fróis, x.n., mercador e de Maria Henriques, x.n., neta paterna de Manuel Fróis e de Ana Rodrigues e materno de Jorge Fróis e de Leonor Nunes, natural da Guarda, casada com António Fernandes Nunes, x.n., mercador, (O marido e o filho são os referidos sob os nºs 242 e 417 desta lista). de 17/5/1663 a 17/1/1665. Auto de fé de 17/8/1664.
PT-TT-TSO/IL/28/7022                                
                       
242      António Fernandes Nunes, ½ x.n., de 42 anos, mercador, natural de Juncais, termo de Linhares, morador na Covilhã,  filho Simão Fernandes Carvalho, x.n., mercador e de Catarina Fonseca, x.v., casado com Maria Henriques, x.n., (A 2ª mulher e os filhos são os referidos sob os nºs 241, 272, 409 e 417 desta lista). de 9/2/1660 a 2/10/1664, preso de 4/10/1660. Auto de fé de 17/8/1664. O réu casou 1ª vez com Ana Rodrigues.
PT-TT-TSO/IL/28/7390

243      Jorge Vaz, ¼  x.n., sapateiro, de 35 anos, natural e morador em Belmonte, filho de Francisco Antunes, x.v., escrivão da Câmara de Belmonte e de Isabel Rodrigues, ½  x.n., casado com Isabel Rodrigues, x.n., de 2/1/1665 a 15/2/1666.
PT-TT-TSO/IL/28/7295

244      Maria Gonçalves Lhamara, natural  e moradora nas Inguias, Belmonte, filha de Manuel Gonçalves Lhamara e de Maria Fernandes, viúva de Francisco Rodrigues, de 13/11/1664 a 26/1/1669, acusada de superstição.
PT-TT-TSO/IL/28/10361

245     Brites Nunes ou Beatriz Nunes, x.n., de 48 anos, natural do Fundão e moradora na Guarda, filha de Manuel Rodrigues “o Redondo” ou Manuel Roiz, x.n., sapateiro e de Branca Rodrigues, x.n., naturais e moradores no Fundão, neta materna de Brites Rodrigues, casada com Simão Fernandes,“o Canca”, x.n., sapateiro, natural do Fundão, de 24/4/1665 a 6/5/1665. (O marido e a filha são os referidos sob os nº 246 e 247 desta lista)
PT-TT-TSO/IL/28/9374

246    Branca Rodrigues, x.n., de 17 anos, solteira, natural e moradora na Guarda, filha de Simão Fernandes “o Canca”, x.n., natural da Guarda e de Beatriz Nunes, x.n., natural do Fundão, moradores na Guarda, neta paterna de Álvaro Fernandes e Leonor Gomes e materna de Manuel Roiz ou Manuel Rodrigues “o Redondo”, x.n., sapateiro e Branca Rodrigues, x.n., naturais e moradores que foram no Fundão, bisneta de Simão Fernandes Boto e Ana Rodrigues, pais do avô paterno, de Pedro Álvares, curtidor e Ana Rodrigues, pais do avô materno e de Brites Rodrigues (Leonor Rodrigues?), mãe da avó materna, de 23/4/1665 a 5/5/1665, (O pai e a mãe são os referidos sob os nºs 247 e 245 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/9381

247      Simão Fernandes, “ O Canca “, x.n., de 50 anos, sapateiro, natural e morador na Guarda, filho de Álvaro Fernandes, x.n., tratante, natural da Guarda e de Leonor Gomes, x.n., natural do Fundão, neto paterno de Simão Fernandes Boto e Ana Rodrigues, casado com Brites Nunes, de 23/4/1665 a 23/5/1665. (A mulher e a filha são os referidos sob os nºs 245 e 246 desta lista)
PT-TT-TSO/IL/28/9945

248      Francisco Lopes, x.n., tratante de panos de linho, natural do Crato e morador no Fundão, filho de Belchior Henriques e de Catarina Marques, casado com Catarina Henriques, de 17/12/1664 a 5/4/1674.
PT-TT-TSO/IE/21/6368
           
249      Simão Rodrigues, x.n., tendeiro, natural da Covilhã, morador em Beja, filho de Manuel Henriques, curtidor e de Branca Rodrigues, casado com Margarida Penha, de 12/12/1667 a 27/1/1676.
PT-TT-TSO/IE/21/5452

250      Jorge Vaz, parte de x.n., tintureiro, de 60 anos, natural e morador na Covilhã, filho de Henrique Nunes, x.v., tintureiro e de Beatriz Rodrigues, parte de x.n., casado com Maria Lopes, parte de x.n., de 4/2/1667 a 3/3/1669. ( Procº 6881 )
PT-TT-TSO/IL/28/6881.

251      Valério da Fonseca Pinto, ½ x.n., advogado, de 38 anos, natural da Covilhã, morador em Lisboa, filho de Jorge da Fonseca Pinto, natural de Celorico e de Joana Henriques, natural da Covilhã, casado com Maria Ferreira, de 26/3/1667 a 14/4/1669.
PT-TT-TSO/IL/28/11339.                             

252      Henrique Fróis, x.n., de 53 anos, trapeiro, filho de Manuel Fróis, x.n., trapeiro e de Ana Rodrigues, x.n., casado com Maria Henriques, natural e morador na Covilhã, (A mulher e os filhos são os referidos sob os nºs 268, 273, 291 desta lista), de 17/5/1663 a 9/12/1664.
PT-TT-TSO/IL/28/2682                     

253      Simão Rodrigues Chaves, x.n., de 30 anos, mercador, natural de Proença-a-Velha e morador na Covilhã, filho de Jerónimo Fernandes e de Isabel Vargas, neto paterno de Jerónimo Fernandes e de Ana Antunes, naturais de Proença-a-Velha, casado com Isabel Nunes, de 20/12/1663 a 2/10/1664.
PT-TT-TSO/IL/28/2841                    

254      Branca Rodrigues, ½ x.n., de 50 anos, natural e moradora na Covilhã, filha de Domingos Rodrigues, e de Branca Rodrigues, naturais da Covilhã, casada com António Rodrigues, de 5/5/1662 a 2/10/1664, por judaísmo,Auto de fé de 17/8/1664. Solta em 12/9/1664.
PT-TT-TSO/IL/28/11021             

255      Francisco Mendes Veiga, x.n., curtidor, de 40 anos, natural do Sabugal, morador na Guarda, filho de Jorge Mendes, x.n., sapateiro e de Ana Mendes, x.n., casado com Brites Mendes em 2ªs núpcias, (A filha é a referida sob o nº 255 desta lista), de 1/9/1664 ( prisão ) a 27/9/1666.
PT-TT-TSO/IL/28/3371.

256      Francisco Carvalho Chaves, x.n., de 47 anos, homem de negócio, prebendeiro em Coimbra, natural (do Teixoso) e morador no Fundão, filho de Diogo Carvalho Chaves, x.n., homem de negócio e de Brites Henriques, x.n., viúvo de Leonor Mendes, de 24/7/1664 a 15/4/1666.
PT/TT/TSO/IL/28/2961                    

257      Fernão Vaz Fraga, ½ x.n., de 52 anos, trapeiro, natural e morador na Covilhã, de 24/7/1664 a 18/4/1667, filho de Henrique Nunes, tintureiro e de Brites Henriques ou Beatriz Rodrigues, casado com Isabel Rodrigues, preso em 18/8/1664.
PT-TT-TSO/IL/28/3539.                               

258      João Gomes, x.n., solteiro, de 28 anos, filho de Simão Gomes, natural da Covilhã e morador em Belmonte.
Não foi encontrado o número do processo na lista do ANTT. (Será o referido sob os nºs 279 e 399 desta lista?)

259      Belchior Rodrigues Rios, x.n., solteiro, de 32 anos, natural da Covilhã e morador em Belmonte e actualmente em Monforte de Lemos, Galiza, filho de Jorge Rodrigues ou Jorge Rodrigues Rios, x.n., mercador, natural e morador na Covilhã e de Joana Nunes, neto paterno de Belchior Rodrigues, natural de Celorico e Leonor Rodrigues, natural do Teixoso, moradores que foram na Covilhã e maternos Fernão Lopes, mercador, de Penamacor e Brites Rodrigues ou Beatriz Rodrigues, de Belmonte, onde eram moradores,   de 3/7/1664 a 30/4/1666, Auto de fé de 4/4/1666.
PT-TT-TSO/IL/28/9378.                               

260      António Fernandes Coelho, ¾ x.n., de 57 anos, mercador, natural e morador na Covilhã, filho de Jorge Coelho, ¾ x.n., e de Violante Henriques, x.n., casado com Jerónima da Fonseca, de 27/2/1666 a 3/11/1666.
PT/TT/TSO/IL/28/808.                     

261      Francisco Rodrigues de Almeida, x.n., de 31 anos, mercador, trapeiro, natural e morador na Covilhã, filho de Henrique de Almeida, x.n., trapeiro tendeiro e de Graça Fernandes, casado com Maria Fróis, casou 1ª vez com Leonor Nunes, x.n., neto materno de Diogo Rodrigues e Leonor Rodrigues, naturais da Covilhã, de 20/12/1663 a 9/6/1666.
PT/TT/TSO/IL/28/2963.                   

262      Pedro Vaz ou Pedro Vaz Covilhã, x.n., de 44 anos, trapeiro, natural e morador na Covilhã, filho de Tomé Vaz, x.n., trapeiro e de Isabel Rodrigues, x.n., neto paterno de Miguel Vaz e Leonor Rodrigues e materno de Diogo Rodrigues e de Maria Fernandes, viúvo de Leonor Rodrigues, x.n., natural da Guarda, Preso em 19/1/1664, Auto de fé no Terreiro do Paço, Lisboa em 4/4/1666.
PT-TT-TSO/IL/28/10250                  

263      Henrique Álvares ou Henrique Mendes, x.n., solteiro, de 25 anos, confeiteiro, natural do Crato e morador na Covilhã, filho de Belchior Henriques, x.n.,  que foi mercador e de Catarina Mendes, x.n., de 31/10/1664 a 18/10/1666.
PT-TT-TSO/IL/28/5102.                               

264      Fernando Vaz Morão ou Fernão Vaz Morão, x.n., de 40 anos, mercador, casado com Ana Rodrigues, que segue, natural da Covilhã, morador na Guarda, filho de Henrique Morão Pinheiro, x.n., advogado e de Marquesa Mendes, x.n., neto paterno de Diogo Álvares, ”o Boi”, x.n., mercador e de Clara Morão ou Clara Moroa, x.n., viúva, irmão de Jorge Henriques Morão, casado com Ana Rodrigues, x.n., preso a 1ª vez em 9/10/1660 até 23/12/1666, sendo o Auto de fé de 4/4/1666 e preso 2ª vez em 26/1/1667, Auto de fé de 14/5/1668.
PT/TT/TSO/IL/28/4142 e 4142-1.                            

265      Ana Rodrigues, x.n., de 38 anos, casada com Fernando Vaz Morão, mercador, natural do Sabugal, moradora na Guarda, filha de António Rodrigues Dias, x.n., mercador e de Brites Henriques, x.n., de 13/8/1664 a 30/4/1666. Tem outro processo de 3/4/1669 a 30/4/1669.
PT/TT/TSO/IL/28/805 e 805-1

266      Ana Rodrigues, x.n., de 40 ( 60 ) anos, natural da Covilhã, moradora na Guarda, filha de Aires Rodrigues, x.n., sirgueiro e de Isabel Rodrigues, x.n., de 12/9/1662 a 4/4/1666, casada com Manuel Rodrigues Pela, mercador. Relaxada em carne.
PT/TT/TSO/IL/28/803                                  

267      Isabel Mendes, x.n., de 84 anos, natural e moradora na vila da Covilhã, casada com João Rodrigues Pardo, mercador, filha de Manuel Rodrigues, x.n., tosador e de Brites Rodrigues, x.n., de 12/9/1662 a 4/4/1666. Relaxada em carne.
PT-TT-TSO/IL/28/5692.                               

268      Maria Henriques, x.n., de 58 (46) anos, natural da vila de Linhares, moradora na Covilhã, casada com Henrique Fróis, trapeiro, filha de Jorge Fróis, x.n., mercador e de Leonor Nunes, x.n., natural da Guarda, de 7/9/1662 a 4/4/1666. (O marido e os filhos são os referidos sob os nºs 252, 273, 291 desta lista). Relaxada em carne.
PT-TT-TSO/IL/28/10256.                             

269      Álvaro Fernandes, de 50 anos, x.n., sapateiro, filho de Diogo Rodrigues, x.n., serralheiro e de Beatriz Rodrigues, x.n., preso em 7/6/1666, Auto de fé de 23/6/1666, e mulher Brites Rodrigues, x.n., de 40 anos, naturais do Fundão e moradores na Guarda (Os netos são os referidos sob os nºs 586 e 748 desta lista)..
PT-TT-TSO/IL/28/2058.

270      José Nunes, ¾ x.n., de 25 anos, trabalhador, natural do Fundão, morador em Celorico, filho de Rodrigo Nunes, ½ x.n., sapateiro e de Justa Rodrigues, ½ x.n., casado com Leonor Rodrigues, ½ x.n., neto paterno de Simão Rodrigues, natural de Celorico, preso em 22/4/1667, sentença na mesa em 9/5/1667.

PT-TT-TSO/IL/28/911.

Fonte – Os dados em itálico foram retirados do “site” do ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo relativo aos processos do Tribunal da Inquisição.
Na cota dos processos, as indicações IL/28, IC/25 e IE/21 referem-se aos tribunais, respectivamente, de Lisboa, Coimbra e Évora.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Covilhã - Mosteiro de Santa Maria da Estrela I

Covilhã – Mosteiro de Santa Maria da Estrela
Diocese da Guarda

Capela da Senhora da Estrela


Na margem direita do rio Zêzere, a cerca de duzentos metros das águas que serpenteiam a planície, ergue-se uma capela pequenina consagrada à Senhora da Estrela. É do limite da freguesia de S. Miguel da Boidobra, que foi da apresentação dos freires do Lorvão; a Covilhã, a cujo termo pertence, fica-lhe a noroeste incrustada na Serra da Estrela e a norte a quinta da Abadia, topónimo por que é conhecida grande vastidão de terras ao redor. Corre-lhe à beira, entre choupos, um regato que desce da Boidobra para o Zêzere, sobre o qual, a 50 metros da capela, lançaram um pontão de um arco, que parece de feitura romana. Ali devia passar uma estrada que dava acesso à Covilhã. A poente desse pontão, a uma distância de 100 metros, abre-se uma mina de água a que o povo ainda chama a Mina dos Frades.

                              Escudo na frontaria da Capela
                                        Fotografias do autor

             A capela constitui um rectângulo uniforme e encima a frontaria, em escudo, uma ave talhada como as do apocalipse do Lorvão. Chama-lhe o povo: “bicho pâmparo” e refere a tradição local que atacou um Príncipe que ali viera caçar. Este, salvo por intercessão do Senhor, viera construir, por voto, aquela ermida. No interior da capela – em altar tosco – venera-se como orago uma imagem de pedra, encarnada ao gosto do século XVIII, mas a imagem encontra-se decepada, na parte posterior, a partir da cintura para os pés; assim se fez o altar, não se sabe quando, para a Senhora, que era muito pesada, poder ser levada em seu andor, na procissão anual do dia da sua festa, que se celebra no primeiro domingo de Setembro. Além da missa cantada e do arraial na véspera, com bailes, canções e fogo-de-artifício, a Senhora é levada em procissão à freguesia de S. Miguel, entoando o povo suas loas simples, com notas antiquíssimas, à maneira que se aproximam do lugar:

                                   A Senhora da Estrela
                                   Mora na Abadia
                                   Está a deitar a divina bênção
                                   Á gente da freguesia

                                   A Senhora da Estrela
                                   Tem uma estrela no peito
                                   Que lha puseram os anjos
                                   No dia do seu efeito

                                   Senhora da Estrela
                                   Vai chegando à fonte
                                   Com seu menino ao colo
                                   São José defronte

                                   Senhora da Estrela
                                   Tu tens na mão que luz
                                   Um raminho de perpétua
                                   Para o Menino Jesus

                                   Senhora da Estrela
                                   Oh que estrela tão linda
                                   Chega a vossa nomeada
                                   Ao palácio da Rainha (ou aos arredores de Coimbra)

                                   Senhora da Estrela
                                   Tens uma estrela no pé
                                   Que lhe puseram os anjos
                                   No dia de São José

                                   A Senhora da Estrela
                                   Mora à beira do caminho
                                   Todos os meninos choram
                                   Só o dela está caladinho


Na segunda-feira, depois da arrematação das ofertas, realiza-se a feira que todos os anos vai diminuindo de valor. Lá acorriam todos os povos das freguesias limítrofes, desde o Teixoso ao Fundão e da Covilhã à Capinha. Há cinquenta anos (1) ainda a Covilhã paralisava as fábricas e engenhos, para patrões, operários e quinteiros descerem, neste dia, à planície a venerar a Senhora.
Hoje só resta na lembrança do povo a saudade dos dias descuidados e alegres de então.
Os proprietários dos campos não podiam opor-se ao antiquíssimo privilégio reconhecido aos romeiros de devassarem, nesses dias, as terras e os milheirais limítrofes da capela.
A tradição oral sobre o milagre que está na base da fundação da capela, poucas reminiscências deixou, mas este deve ter sido influenciado pela forma como todos os anos seria recordado pelos pregadores, certamente através da versão de Frei Bernardo de Brito, cronista da Ordem de Cister. Aqui se regista a versão de Brito, mais como testemunho da influência na tradição popular do que como fonte histórica, porque para esta bastarão os documentos. Para além destes ficará a dúvida, embora nada exista que contrarie, no respeitante à fundação, a história relatada pelo autor da Monarquia Lusitana, que certamente, no seu tempo possuiria outras fontes além das que chegaram até nós, embora tivesse conspurcado muitas com falsificações torpes. Também aqui terá o frade cisterciense profanado a história? Uma referência de António Brandão a um manuscrito muito antigo do Mosteiro de Cárquere deixa antever uma fonte para a versão de Brito, embora sobre o valor dela o seu confrade da Monarquia Lusitana não nos tenha deixado critério de apreciação. A fundação em 1161 não repugnaria a ninguém se se soubesse onde foi a primeira fundação do Mosteiro; porque só a sua transferência na Diocese da Guarda em 1220 se acha documentada. Nada se sabe do incêndio do mosteiro e da sua forma primitiva de penitenciária para frades relapsos. No actual concelho da Covilhã há um topónimo que não está esclarecido, como tantos outros, e poderia servir de caminho a uma explicação, se não fora a época recuada a que diz respeito e a ausência de documentos conhecidos que a possam explicar. É a Santa Maria do Mosteiro, na freguesia do Barco, no Monte d’ Argemela, nas margens do Zêzere. E ainda no concelho do Fundão, antigo concelho arciprestado da Covilhã, a freguesia extinta de Santa Maria de Reclausum que nos aparece no Livro Branco da Sé de Coimbra (1320), coexistindo com o Mosteiro de Santa Maria da Estrela. Estará em qualquer destes dois topónimos a origem do Mosteiro, partindo do princípio que a versão de Brito tem fundamento certo e que a transferência se deu dentro da diocese da Guarda? A estada de Egas Moniz como tenens de Seia, deixa presumir que a sua actividade militar se exercesse no sentido da Beira Baixa e por isso é de aceitar que durante todo o século XII as abas orientais da Serra da Estrela estivessem já sob o domínio da Monarquia Portuguesa, sem haver que recorrer à primitiva doação de Monsanto, no tempo de D. Teresa, que continua, apesar das achegas de Alfredo Pimenta, a ser um dos grandes enigmas da Reconquista nesta região, embora eu localize todos os topónimos dela. (2)
A Serra da Estrela – ou Monte Ermeno – monte ermo – se era uma fronteira natural dos territórios de Seia, e de fácil defesa nas gargantas apertadas da cordilheira, penso que a reconquista não teria podido prosseguir, na Beira Baixa, sem bases de apoio para fossados e azarias, na parte oriental da Serra. E a organização destas pertenceria ao tenens de Seia, a cujo domínio militar a Beira Baixa esteve anexa até D. Dinis. Embora o limite concelhio de Seia não transpusesse a linha superior da Estrela, conforme se verifica do seu foral de 1130, dele se conclui que a parte oriental da serra estava povoada, já se encontrava no domínio dos Cristãos até ao Zêzere, pelo menos; os fossados de Seia dirigiam-se no sentido de Espanha para Salamanca. Ora conhecendo o Zêzere em todo o actual concelho da Covilhã, que era o território confinante com Seia, verifica-se que o Zêzere, pela sua pequena corrente, não poderia servir de fronteira apreciável entre a moirama e os cristãos. Esta linha fronteiriça devia conter torres fortalezas e atalaias. Essas atalaias ainda hoje se podem reconstituir: ficaram na toponímia local e até se transpuseram para a cartografia da região. Das torres isoladas ainda hoje se conhecem: a dos Namorados, a de D. Arrizado, a de Centum Cellas. Das fortalezas os castros de tradição local, com raízes na Lusitânia e que não deixariam de servir, muitas delas, de recolha e defesa na invasão dos Árabes, constituindo ilhas livres no meio da desolação desse tempo e, posteriormente, de base militar para a Reconquista. As sucessivas doações com as várias tentativas de repovoamento de Monsanto, demonstram não só que a fronteira se alargara para o Tejo, como a necessidade de fortificar a zona fronteiriça no extremo sudeste da província para demarcar a fronteira com os mouros e com a Espanha. E essas tentativas estão documentadas. Entre as fortificações desse tempo sobressai a de Luzes, na parte oriental da Serra. Dela nos dá notícia uma doação à Sé de Braga em 1137. Foi publicada a primeira vez por A. Reuter, com um ponto de admiração (!) em oriental e é do Liber Fidei de Braga.


1) Este texto deve ter sido escrito na década de quarenta do século XX.
2) Arouca, por exemplo, marco geodésico, no concelho de Pampilhosa da Serra, junto a Unhais-o-Velho, a cerca de 40 Km do Fundão, que parece ter sido povoação fortificada, independentemente de outra com o mesmo nome, na Lousã.


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