terça-feira, 16 de agosto de 2016

Covilhã - Frei Heitor Pinto VII

O nosso blogue vive do espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias, que continuamos a explorar e divulgar. Sempre soubemos o interesse do investigador por Frei Heitor Pinto, que deu origem em 1952 à publicação de "Fr. Heitor Pinto (Novas Achegas para a sua Biografia)", a 1ª da sua vasta obra. 

  Aquando das comemorações do IV centenário da morte do frade jerónimo que se realizaram na Covilhã a 2 de Dezembro de 1984, empenhou-se totalmente para que a figura de Frei Heitor fosse mais divulgada.
A propósito de monografias covilhanenses, Luiz Fernando Carvalho Dias lembrou Frei Heitor Pinto:
“Não ainda em monografia, mas como simples descrição, registo a primeira imagem da Covilhã em forma literária. Cabe ao nosso Frei Heitor Pinto, o escritor português mais divulgado e com mais edições no século XVI. Trata-se de uma imagem enternecida, como que uma saudade de peregrino a adivinhar exílios, muito embora a abundância dos adjectivos desmereça da evocação:

 “ … Inexpugnável por fortes e altos muros, situada num lugar alto e desabafado e de singular vista, entre duas frescas e perenais ribeiras, com a infinidade de frias e excelentes fontes e cercada de deleitosos e frutíferos arvoredos.  “ (1)

 Estamos a publicar informações sobre Frei Heitor Pinto. Baseamo-nos em reflexões do investigador, em fotografias e textos da Exposição de 1984 e na obra sobre Frei Heitor Pinto.
    Acompanhemos a obra “Fr. Heitor Pinto (Novas achegas para a sua biografia)” de Luiz Fernando Carvalho Dias:

[...]

Para o claustro pleno de sábado, 3 de Julho, e não treze como escreveram alguns autores (18), designara-se, na derradeira assembleia de deputados, a citação da provisão real a favor do monge português.
Esgotaram-se todos os assuntos da ordem do dia antes de comparecer o oficial público, para ditar o teor da vontade do Rei.
Agastam-se os doutores com a demora, e Francisco Sancho chega a propor o encerramento do claustro.
Entrementes surge o escrivão Bartolomeu Sanchez, acompanhado de um clérigo português, e publica a mis­siva régia. O Rei pedia contas à Universidade de não dar seguimento à petição dos estudantes e marcava o prazo de 15 dias para a resposta.
Os catedráticos sentiram-se profundamente dessa carta, conquanto reproduzisse textualmente o requeri­mento dos escolares.
Doeu-lhes sobretudo a insinuação de abandono a que, numa Universidade como a Salamantina, se votava a ciência bíblica, reduzida a uma cátedra secundária e confiada a um substituto!...
O colégio doutoral, cioso das suas prerrogativas, sentia-se vexado de ter de responder ao conselho do Rei, a instâncias dum monge português!...
Trazia a provisão régia a data de 10 de Junho.
O Reitor, o mestre.escola e os outros partidários do salário votam pelo cumprimento da provisão e con­sequente aceitação de Heitor Pinto, no colégio dou­toral.
Especialmente Heitor Rodrigues e Miguel da Costa e o conciliário Diogo Nunes Caldeira, advogados da causa de Fr. Heitor Pinto, insistem por resposta, à letra, à provisão do Rei, e pela remessa dos claustros e documentos, tudo sem subterfúgios, sem comentários manhosos e sem paixão.
Porém a Faculdade de Teologia não cede e Fr. Luís de Leon desce à arena para, em nome de seus pares, quase classificar de abusiva a intromissão do Conselho, nos negócios interno da Universidade.
Não bastava responder; exigiam uma embaixada de doutores para esclarecer a Corte e sobretudo o Rei como se não deviam pisar usos e costumes seculares.
Esqueciam contudo que a provisão régia vinha escudar o direito preterido dos estudantes!...
Leão de Castro, voltava a insistir pelas provas de Fr. Heitor Pinto, acentuando a conveniência de elucidar a Corte, quão florescente estava o colégio de Teologia, onde brilhavam muitos e competentes mestres.
Grajal estava em causa!
Para Fr. Luís de Leon outros viriam amanhã ao mesmo que Fr. Heitor Pinto, olvidando ostensivamente, como as obras do hieronimita o elevavam já muito acima de Grajal!
Na sua boca os argumentos de Fr. Gaspar Torres cortavam-se em blocos de arestas ásperas como convi­nha ao carácter do polemista agustiniano, aliás tão suave como poeta.
Ao depreciar os votos dos estudantes, brandia Fr. Luís uma espada de dois gumes, e atingia a sua própria faculdade, nas cátedras e partidos, providos de igual modo.
Também Grajal, cujo interesse manifesto o não coíbe de terçar armas, se lança em cheio, na contenda.
O claustro termina por nomear os 7 redactores da resposta, quase todos do partido contrário ao frade por­tuguês.
O Livro de Claustros regista, a seguir, uma procura­ção dos mestres de Teologia, a favor dos colegas Leão de Castro, Luís de Leon e Gaspar de Grajal.
Novamente Fr. Mâncio se abstém de intervir nos destinos da sua faculdade; o escrivão declara não conse­guir notificá-lo para a reunião dos teólogos donde vai sair a procuração, porque se encerra na sua cela.
Leon, Grajal, Torres e Castro não representam uma oposição individual: a procuração espelha a faculdade de Teologia a enfrentar Fr. Heitor Pinto e a resistir ao que julga ser uma conspiração de mestres e estudantes portugueses.
A procuração é outorgada a 17 de Julho e logo a seguir, escudado nela, marcha Fr. Luís de Leon para o claustro de deputados e protesta a decisão de enviar à Corte o doutor Heitor Rodrigues, por ser compatriota de Fr. Heitor Pinto e patrono da sua candidatura.
Feroz na luta e cauteloso na preparação do com­bate não se esqueceu de levar consigo o escrivão João Godinez, para lhe lavrar o instrumento público ade­quado.
Convém sublinhar que deparamos aqui com a pri­meira referência à embaixada de Heitor Rodrigues, cer­tamente escolhido por iniciativa exclusiva do Reitor.
O claustro pleno abriu a 21 de Julho para ouvir a relação dos comissários mas antes da leitura surgiu Fr. Heitor Pinto a oferecer um requerimento. Nele começou por acentuar ser da inteira responsabilidade estudantil a petição oferecida mas como alguns doutores lhe exigissem demonstrações escolásticas, ele que, no seu curso de bíblia, quer particular quer publicamente se oferecera para leccionar também aquela disciplina, requeria agora, em termos, a hora e o geral respectivo; informa que só a carência de hora e geral o coagira a abandonar a lição do profeta Malaquias, onde aliás versara matérias de escolástica, quando vinham a talhe de foice; que voluntàriamente arguiu em conclusões escolásticas e se uma vez deixou de responder ao chama­mento de Francisco Sancho, devia-se à circunstância de o avisarem tardiamente.
Instava que lhe indicassem a forma como deseja­vam receber as suas provas pois estava pronto, nos ter­mos anteriormente fixados, a presidir, a 1er e a arguir em actos.
Para desfazer as dúvidas que povoavam o espírito de alguns votantes reclamava, da sua parte, o exame às assinaturas dos subscritores das petições dirigidas à Universidade e ao Conselho do Rei.
Dois meses tinham decorrido da entrega da petição dos estudantes, em claustro, e este requerimento de Fr. Heitor Pinto. As demoras e as dificuldades não podiam, em consciência, ser-1he assacadas, contudo rejei­taram-lhe o pedido, por extemporâneo, como consta duma rectificação apensa à resposta da Universidade ao Rei.
Entretanto alguns catedráticos contrários à viagem de Heitor Rodrigues, começam por exigir deste mestre de direito o juramento conforme não se empenharia na Corte, pela causa de Fr. Heitor Pinto, exigência a que ele se não exime.

Universidade de Salamanca

Segundo a resposta à provisão régia, cuja leitura se iniciou, Heitor Pinto entrara há seis meses, em Sala­manca, residia no mosteiro de S. Jerónimo e imprimia na Universidade, os Comentários a Ezequiel, como acontecera já aos de Izaias; seu magistério docente, sobre o profeta Malaquias, reunira concurso apreciável de ouvintes, posto não constasse da legitimidade deles, antes fosse suspeita; prégara em Salamanca, pela quaresma de 1568 (19).
Glosada a matéria dos claustros, a Universidade pretende justificar-se diante do Rei, da atitude assumida no pleito, argumentando que:

«teve em consideração não agravar a muitos mestres, filhos da Universidade, mui doutos e emi­nentes assim na Teologia escolástica como na posi­tiva e nas línguas latina, grega e hebraica que são necessárias para a interpretação e declaração da Sagrada Escritura; que vagando o dito partido quando fosse necessário à dita Universidade, com justo título, se lhe poderiam opôr, pretendendo-o, com os votos legítimos da dita faculdade, todos os que desejassem; e se ainda não houve resolução acerca do dito partido, além do referido, teve-se em consideração as muitas lições que há na facul­dade de Teologia que são oito lições, seis de escolástica e duas de positiva, estas que lê mestre Gaspar de Grajal, em bíblia latina, o qual ainda que substi­tuto é homem muito douto e suficiente e versado nela e a outra que lê mestre Martim Martinez cate­drático proprietário em bíblia hebrea...» (20)

Daqui parece concluir-se que não cabia nas inten­ções da Universidade criar novo partido nem decorrido o quadriénio de Grajal, abrir oposições. Assim deve ter sido pois a posição do substituto do Bispo Gregório Gallo era idêntica à do irmão deste, Fr. João Gallo, cujo quadriénio terminou em 1568, e deste temos notícia certa, nos livros da Universidade, ter sido reconduzido, sem abertura de oposições, só por votação do claustro (21), dou­trina aliás já sancionada pela Coroa!
Perante a apaixonada e tenaz resistência dos Teólogos, para que havia Pinto de sujeitar-se ao vexame de uma reprovação evidente, por mais altos que fossem os seus méritos?
O seu valor de comentarista patenteava-se de tal forma nas suas obras que jamais a Universidade e os seus fogosos antagonistas ousaram pô-lo em dúvida. A insinuação manhosa de que a abundância de alunos significava mais pregação do que interpretação, não era argumento contra a sua competência de biblista, visto a Universidade nunca lhe ter exigido demonstrações especiais nesta ciência.
O seu prestígio ficou pois inteiramente salvaguar­dado com o requerimento a pedir a marcação das pro­vas escolásticas, que a Universidade indeferiu.
Terminada a leitura da Resposta, o impaciente Grajal voltou a insistir que se retirasse ao Doutor Heitor Rodrigues, apesar de ajuramentado, a embaixada à Corte e se confiasse a um Teólogo, mas o claustro não desautorizou o velho mestre de direito e reiterou-lhe a confiança.
Ele, porém,

«atento a la Recusación q se hizo por ser de su nacion el dho fray hetor pinto»,

farto da dureza dos colegas e possuído daquele pundo­nor que leva os portugueses a sacrificar-Ihe a utilidade das coisas, escusou-se da missão.
O claustro pleno de 26 de Julho acabou por entre­gá-la ao teólogo Leão de Castro, com o voto contrário do Mestre Escola e de outros que, para evitar gastos, a desejavam para Diogo de Vera, ausente na Corte.
Uma carta de Leão de Castro, dirigida à Universi­dade em 5 de Agosto, e apresentada ao claustro pleno de 13 desse mês, encerrava a questão com uma nova doutrina aceite pelo Conselho Real: a Universidade podia arbitràriamente fechar as suas portas, ainda que fosse ao homem mais eminente do mundo!...
O corpo docente vencera em toda a linha: os votos dos estudantes de nada valiam já, perante a omnipotên­cia do colégio doutoral.
Era bem certo, a Idade Média, com o seu espírito universitário morrera e a Renascença penetrava, em cheio, no velho reduto da «Alma Mater» salmantina.

Notas:
18. Prof. Joaquim de Carvalho - «Fr. Heitor Pinto e Fr. Luis de Leon», Nota bibliográfica  sugerida pelo livro de Aubrey F. G. Bell.
Luis de Leon. A study of the spanish Renaissance. Oxford, 1925» in Rev. Lusitania, Lisboa, 1925, fasc. VIII, fls. 225 e segs. Vide Docs. do Arq. de Universidad de Salamanca, que adiante se publicam.
19. Como se verifica a resposta da Universidade confirma a peti­ção dos estudantes.
20. Fr. Heitor Pinto - In Ezechielem etc, Salmanticae, 1568, fls. 173 b. Nesta obra o nosso hieronimita refere-se com muito apreço a este insigne mestre Salmantino: «Habet etiam deus multa nomina de quibus vide Martinum Cantapetrensem virum hac nostra aetate eruditissimum libri secundi capite secundo suarum hypotyposeon, quem librum edidit Salmanticae, ubi sacrorum bibliorum tribus in linguis primarius est, ac perpectuus interpres».
21. Como a patente do provincial dos Jeronimos de Belem, que autoriza Fr. Heitor Pinto a doutorar-se numa Universidade estrangeira, constante dos documentos de Siguença, adiante publicados , não está datada, ficamos inibidos de saber se Fr. Heitor Pinto, ao diri­gir-se a Salamanca, no ano de 1568, já tencionava doutorar-se nessa Universidade.
Dos documentos do processo de Fr. Luís de Leon, parece concluir-se que, terminado o quadriénio do provimento de Grajal, se abriram oposições à cátedra da Bíblia a que teria concorrido também Fr. Heitor Pinto. Porem dos documentos da Universidade Sa1mantina nada consta dessas oposições, quer do livro de claustros desse ano que as devia ter registado, quer da colectânea das oposições que se guardam ainda no respectivo arquivo.
Luís de Leon e as testemunhas falavam decorridos três anos. À defesa do autor de «Los Nombres de Cristo» convinha agravar o mais possível, perante a Inquisição, o dissídio de I568, travado com Pinto, pois ainda nessa altura o considerava injustamente um dos causadores da sua desgraça.
Daqui não aceitarmos a versão do processo, seguida por vários biógrafos, inclinando-nos antes a receber só aquilo que os documentos Universitários nos autorizam i. e. que Fr. Heitor Pinto não se opôs no términus do quadriénio, à cátedra de Bíblia, com Grajal; é antes de crer que este fosse provido novamente, sem oposições, só por votos de claustro, como aconteceu a Fr. João Gallo.
A feroz defesa de Grajal, atribuida a Fr. Luís de Leon, não seria pois em oposições ou actos, mas no claustro e no ambiente universi­tário, como se vê do livro desse ano.
As testemunhas responsáveis parecem tambem não acreditarem numa inimisade rancorosa dos jerónimos, capaz de os inibir de teste­munhar veridicamente contra o agustiniano.
Do processo inquisitorial só deve concluir-se que a contenda de 1568 perturbou tanto o ânimo de Fr. Luis de Leon, que decorridos três anos, ainda filiava nessa luta o seu processo inquisitorial.
Fr. Heitor não interveio, nem de perto nem de longe, nesse pro­cesso, que aliás era manobrado por outro seu antagonista de 1568, o célebre Leão de Castro. Presumimos que tivessse ecoado até Belem o fragor da nova batalha do claustro Salmantino, esta sem dúvida mais violenta: Pinto deve ter exultado quando tomou consciência de haver sido Deus quem o afastou de Salamanca, para afugentá-lo de um braseiro, e o trazer de novo à pátria onde como provincial da sua ordem, colheria por sufrágio dos confrades, o prémio das suas virtudes e do seu mérito.
Sobre Heitor Pinto e Fr. Luís de Leon podem ainda consultar-se, além de outras já citadas, as obras seguintes:
- Prof. Joaquim de Carvalho – Fr. Heitor Pinto, D. Fr. Ama­ior Arrais e Fr. Tomé de Jesus, in. História de Lit.ª Portuguesa Ilustrada - fasc. 18, vol. 3º, pags. 89 e segs.
Aubrey F. G. Bcll - Luis de Leon - Un estudio del Renasci­miento Español – Trad. castelhana do P.e Celso Garcia. Barcelona, Ed. Araluce.
José Gonçalez Tejada- Vida de Fray Luis de Leon - Madrid, 1863.

Fr. Luis Alonso Getino - Vida y processos del Maestro Fray Luis de Leon - Salamanca, 1907.


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domingo, 17 de julho de 2016

Covilhã - A Misericórdia uma Instituição de Solidariedade Social XXVI


Luiz Fernando Carvalho Dias deixou-nos muitos documentos e reflexão bastante sobre a Misericórdia da Covilhã, que ao longo dos anos temos publicado. O investigador defende o ano de 1499 para a fundação da Misericórdia da Covilhã e não 1577 ou 1512.

********

"Põe-se agora o problema de localizar, no tempo, a fundação da Misericórdia da Covilhã.
Enriquece o arquivo da nossa confraria uma cópia de 1511 dos privilégios da Misericórdia de Lisboa. (Transcrevemos à frente). Trata-se de uma cópia rara, que apesar de decepada, oferece muito interesse para a História da Cidade e da Confraria.
            A cópia é assinada pelo Dr. Braz Neto, ilustre jurista e desembargador, da Comissão da Reforma dos Forais e das Ordenações que, em 1522, viria a suceder a Vasco Pais de Castelo Branco no priorado de São Pedro da Covilhã e depois ascenderia como prelado a uma das sés do Reino.
            Essa cópia trás anexo um despacho sobre a Misericórdia, datado de 1512, firmada por Aires Botelho, contador e corregedor da Comarca da Beira e Riba Côa, o qual residia na Covilhã, como consta de outros documentos.
            O alvará de confirmação de D. João III, registado de fls 20, verso a 21, verso, do livro 32 da sua chancelaria, transmitiu-nos o teor do alvará de D. Manuel de 10 de Novembro de 1511 que confere à Misericórdia da Covilhã os privilégios da Misericórdia de Lisboa. Além disso o referido alvará contém um incitamento aos que ingressassem na referida confraria.
            Verifica-se por este último alvará que todos os documentos atrás citados constituem o processo donde derivou esta honrosa mercê. Atente-se para lhe fixar o interesse que nessa data ainda nenhuma outra terra da Beira tinha privilégio idêntico! O de Castelo Branco é de 1514. O da Guarda não está registado, mas é posterior. Os das restantes vilas são todos posteriores também.
             Nesta data de 1511 o provedor da Misericórdia da Covilhã era, nem mais nem menos do que o cristão-novo João Roiz de Cáceres, escrivão dos Direitos Reais da vila, cujo autógrafo consta de um dos documentos expostos (2) e o juiz da irmandade era Luiz Gomez, cavaleiro da Casa Real e o escrivão ou secretário outro João Roiz, escudeiro. Eis os promotores do privilégio.
            Mas a irmandade instituíra-se antes: na Covilhã tudo começa antes da aprovação do Governo. Veja-se o concelho que, no dizer de Herculano, se organizou anos antes da concessão do Foral.
             Sou levado primeiramente a admitir a gralha tipográfica do compromisso de 1680. Porquê? Em vez de Junho de 1577, a Misericórdia poderia ter sido fundada em Junho de 1511. Coincidiria perfeitamente esta hipótese com a do Dr. Forjaz, pois a rainha faleceu em 17 de Novembro de 1525. E nada mais fácil confundir 77 com 11, tanto mais que no século XVI nem sempre se usava a numeração romana.
            Porém, contra esta hipótese de 1511 há a transcrição expressa num alvará de D. João III, duma carta do provedor e irmãos da Misericórdia da Covilhã, datada de 1539, na qual confessam ao Infante D. Luís (3), senhor da vila, que a misericórdia da Covilhã fora fundada há quarenta anos. Tal confissão preciosa faz remontar a origem da instituição covilhanense a 1499!
            Temos assim, nesta hipótese, a Misericórdia da Covilhã fundada por volta de 1498, o que a ser certo, seria das primeiras misericórdias do País, coeva das do Porto, de Évora e de Albufeira!
            A carta a que nos referimos está transcrita nas costas de um alvará do Infante D. Luiz e os termos dela são tão precisos, que lhe damos toda a fé. (Também transcrevemos à frente)
            É a única referência clara e certa à fundação da Misericórdia e como ela provém dos próprios provedor e irmãos, entre os quais, possivelmente, existiriam ainda alguns fundadores, parece-me não ser ousado optar pela fundação em 1498 ou 1499."

A Misericórdia da Covilhã está a comemorar o 504º aniversário da Instituição. 



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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Notícias Soltas V

A notícia, no "Notícias da Covilhã" de 16 de Junho, da Festa da Transumância e dos Pastores a 2 de Julho em Seia, foi o motivo para lembrarmos algumas publicações no nosso blogue sobre este assunto (1).




Em Portugal a regulamentação sobre a transumância foi mais tardia e um pouco diferente da de Espanha. Um dos polos de conflito entre pastores e criadores de gado com os proprietários de terras e agricultores são as canadas ou caminhos públicos para a passagem dos rebanhos. D. Manuel é um dos governantes que promulga leis concedendo privilégios aos pastores em transumância. O mesmo acontecendo com Filipe I, logo nas Cortes de Tomar. Ao lermos documentos relacionados com Pastores encontramos vários cargos relativos a esta profissão. No século XVII já existe o cargo de Desembargador Juiz Conservador dos Pastores Ganadeiros da Serra d’Estrela e Alentejo. Contudo D. João IV aprova coimas aos pastores, embora os privilégios aos pastores continuem com D. Pedro II e D. João V.
No espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias encontrámos vários documentos relacionados com a transumância, que temos publicado.

Nota dos editores - 1)Os sites abaixo, a bold, são especificamente sobre Tansumância.

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Covilhã - Notícias Soltas IV


    O pretexto para esta Notícia Solta é a saída da Carta de Pêro Vaz de Caminha, avaliada em quase 3 milhões de euros, do cofre forte da Torre do Tombo para uma Exposição, no Castelo de Belmonte, de 26 de Abril a 26 de Outubro. Esta Exposição em Belmonte deve-se ao facto de Pedro Álvares Cabral ser natural desta povoação da Beira e Pêro Vaz de Caminha ser escrivão na viagem deste navegador, em 1500.
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 Pedro Álvares Cabral nasceu em 1467 (?) na povoação de Belmonte, na Beira Baixa e morreu, provavelmente em 1520, na cidade de Santarém, no Ribatejo, onde está sepultado na belíssima Igreja da Graça. Alguns dos seus restos mortais estão desde há um século no Rio de Janeiro.
É o descobridor oficial do Brasil. Descendia de uma família nobre, cujas raízes entroncam no seu trisavô Álvaro Gil Cabral (século XIV). O seu bisavô, Luís Álvares Cabral já está ligado à governação de Belmonte. Parece que Pedro A. Cabral saiu ao pai em altura, pois este era conhecido como o “Gigante da Beira” pela sua invulgar estatura, grande corpulência e valentia. Novinho deixou Belmonte e em Lisboa estuda Artes Militares, História, Cosmografia e Marinharia. Nesta época, no Reino, vivem-se já as viagens marítimas e em 1499, depois da chegada da Índia de Vasco da Gama, é nomeado pelo Rei D. Manuel capitão-mor da armada que há-de voltar a Calecut com a missão de estabelecer relações políticas e comerciais, fundando por aquelas paragens o primeiro entreposto comercial português. Também teria sido incumbido de pôr pé no continente brasileiro e oficialmente o publicar, ou teria sido casual a chegada àquelas paragens? Os que acham que foi intencional a rota para ocidente em pleno Oceano Atlântico, defendem que as exigências de D. João II durante as negociações do Tratado de Tordesilhas, a experiência dos marinheiros que iam na frota, o provável conhecimento anterior de terras para Ocidente, só não publicitadas pela política de sigilo devida à concorrência com Castela, Espanha, são a prova disso. Os que pensam que foi casual baseiam-se, por exemplo, na Carta de Pêro Vaz de Caminha que em seguida usaremos. Quando foi nomeado por D. Manuel já várias viagens de conquista e descobrimento tinham sido realizadas, mas a armada de Pedro Álvares Cabral foi a mais bem equipada pois eram dez naus, três caravelas e milhar e meio de homens, alguns, como Bartolomeu Dias, experimentados e conhecedores do mar e dos seus segredos. Vão chegar ao continente sul-americano a que vão chamar Terra ou Ilha de Vera Cruz. Continuam para a Índia, mas antes Álvares Cabral manda regressar a Portugal uma embarcação chefiada por Gaspar Lemos com a boa nova e a importante carta de Pêro Vaz de Caminha, escrivão e testemunha presencial, que encerra notícias importantíssimas de cariz histórico e antropológico. Transcrevemos agora algumas passagens desta Carta dirigida ao Rei D. Manuel:

Os cuidados cm a "Carta de Pêro Vaz de Caminha" na sua chegada a Belmonte

“Senhor, posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, [prova da casualidade?] que se ora nesta navegação achou, não deixarei de dar disso minha conta. …
E assim seguimos nosso caminho … até terça-feira d’oitavas de Páscoa, que foram 21 dias d’Abril, que topámos alguns sinais de terra … os quais eram muita quantidade d’ervas compridas. … E à quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves. … E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d’um grande monte, mui alto e redondo, e d’outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz. …
[5ª feira, 23 de Abril] E dali houvemos vista d’homens, que andavam pela praia, de 7 ou 8. … E o capitão mandou no batel, em terra, Nicolau Coelho, para ver aquele rio…. Eram ali 18 ou 20 homens, pardos, todos nus, sem nenhuma cousa que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos e suas setas… Somente deu-lhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho, que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe deu um sombreiro de penas d’aves, compridas, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e parda, como de papagaio. … E tomou em uma almadia dous daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos. … Trouve-os logo, já de noute, ao capitão, onde foram recebidos com muito prazer e festa. … Traziam ambos os beiços de baixo furados e metido por eles um osso branco de comprimento duma mão travessa… Os cabelos seus são corredios e andavam tosquiados de tosquia alta mais que de sobre-pente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. ... Acenderam tochas e entraram e não fizeram nenhuma menção de cortesia nem de falar ao capitão nem a ninguém. Um deles, porém, pôs olho no colar do capitão e começou d’acenar com a mão para terra e despois para o colar, como que nos dizia que havia em terra ouro. E também um castiçal de prata…um papagaio pardo…um carneiro, não fizeram dele menção. Mostraram-lhes uma galinha, quase haviam medo dela. ... Andavam ali muitos deles. … Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos, pelas espáduas; e suas vergonhas tão altas e tão çarradinhas e tão limpas das cabeleiras que de as nós muito bem olharmos não tínhamos nenhuma vergonha…
[Domingo, 26 de Abril] Ao domingo de Pascoela, pela manhã, determinou o capitão d’ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu….
Beijo as mãos de vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500. Pêro Vaz de Caminha”

No nosso blogue temos várias reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias sobre Pedro Álvares Cabral e Belmonte:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/01/covilha-pedro-alvares-cabral-e-belmonte.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/12/covilha-pedro-alvares-cabral-e-belmonte.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/12/covilha-pedro-alvares-cabral-e-belmonte.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/08/covilha-pedro-alvares-cabral-e-belmonte.html


No nosso blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/04/covilha-noticias-soltas-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/03/covilha-noticias-soltas-ii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/12/covilha-noticias-soltas.html


sábado, 14 de maio de 2016

Covilhã - Bispos Covilhanenses I

    Resolvemos abrir o tema Bispos covilhanenses por duas razões: a primeira, porque encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta com informação preciosa sobre covilhanenses, alguns bispos, que sabemos teria como finalidade a organização de um "Dicionário de Autores Covilhanenses"; a segunda, porque na próxima terça-feira, dia 17, o Padre Luís Miguel da Costa Taborda, da Diocese de Beja, apresenta, na Covilhã, a sua obra “D. José do Patrocínio Dias. O Homem, o Militar e o Bispo Restaurador da Diocese de Beja”.

Capa da obra de Luís Miguel Taborda Fernandes

Enumeremos os bispos covilhanenses de que temos conhecimento:
- D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja.
- D. Cristóvão de Castro, Bispo da Guarda.
- D. Diogo Seco, Bispo de Niceia.
- D. Frei Domingos Barata, Bispo coadjutor de Évora, Bispo de Portalegre.
- D. José Valério da Cruz, Bispo de Portalegre.
- D. António Bonifácio Coelho, Bispo titular da Lacedemónia, Bispo eleito de Leiria.
- D. Frei Ângelo Ambrósio Camolino ou Ângelo de Nossa Senhora da Boa Morte, Bispo de Elvas.
- D. Manuel Damasceno da Costa Rato, Bispo de Angra do Heroísmo.
- D. José da Cruz Moreira Pinto, Bispo de Viseu.

D. José do Patrocínio Dias (1884-1965)

D. José do Patrocínio Dias era tio do investigador Luiz Fernando Carvalho Dias que, como sobrinho mais velho, com ele manteve sempre uma profunda relação de amizade e proximidade. Com o seu tio passava todos os anos o Natal em Beja e, na Covilhã, o período de férias de verão, na Quinta do Ribeiro Negro. Acompanhou-o constantemente nos últimos e dolorosos dias de vida em Fátima, depois da sua saída de Beja.

Sobre ele deixou escrito“Nasceu no dia 23 de Julho de 1884 na cidade da Covilhã, na freguesia de S. Pedro, numa casa à estrada, nas imediações de S. João de Malta, onde viviam seus pais – o professor Claudino Dias Agostinho Rosa, natural da freguesia de S. Matias do Cacheiro, Nisa e sua esposa D. Claudina dos Prazeres Presunto, da Covilhã. Feito o exame de admissão ao liceu, preparado por seu pai, entrou no Colégio de S. Fiel, onde fez o curso secundário, coajudado pela generosidade dos padres da Companhia, atentos às fracas posses de seus pais. Em Outubro de 1902 matriculou-se na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Teologia, onde para subsistir deu aulas no Colégio do prof. Dr. Sousa Gomes, até que em 1907 se bacharelou em Teologia.
 Há muito que pensava ordenar-se por vocação e para satisfazer os votos de sua mãe. Celebrou a 1ª Missa em 1907, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Covilhã. Foi pároco da Igreja de S. Vicente e cónego capitular da Guarda, onde viveu até 1921.
 Durante a Guerra de 1914-18 ofereceu-se para prestar assistência religiosa aos combatentes e na Flandres foi designado chefe dos capelães militares do CEP. Mais tarde, ao ser nomeado Bispo de Beja, quis o governo da República manifestar-lhe reconhecimento público pela sua acção na Guerra, tendo-lhe perguntado o Dr. Bernardino Machado o que mais estimaria lhe oferecessem; pediu ele a reabertura imediata da Sé da Guarda, fechada há longos anos, para nela ser sagrado, em 3 de Junho de 1921. Tal desejo foi prontamente satisfeito.
 Em 1922, já sagrado Bispo de Beja, entra nesta diocese, há anos praticamente abandonada e onde desempenhou um extraordinário papel religioso, social e cultural a ponto de ser conhecido como “Bispo Restaurador”. Fundou a ordem religiosa Congregação das Oblatas do Divino Coração, que com ele colaborou e que ainda hoje realiza importante trabalho na Diocese.
    Fundou e colaborou em vários jornais, entre os quais destaco A voz da Fé, A Guarda, Novidades, Eco Pacence, Notícias da Covilhã, Notícias de Beja, etc. Publicou várias pastorais, foi conferencista e orador sagrado. No Arquivo da Diocese de Évora existe toda a sua correspondência para D. Manuel Mendes da Conceição Santos.
    Ao longo da sua vida e como recompensa pelos serviços prestados recebeu várias condecorações, destacando: A Cruz de Guerra, a Torre e Espada e a francesa Legião de Honra.
     Em 1957 as Bodas de Ouro sacerdotais foram uma festa dividida por Roma, Fátima, Covilhã e Beja.
 Vem a falecer, em Fátima, em 24 de Outubro de 1965 rodeado do seu irmão, de todos os seus sobrinhos e de alguns amigos.”
Jaz na Sé de Beja. Nesta diocese exerceu durante aproximadamente quarenta e quatro anos o seu múnus episcopal. (1)

D. José e a família

D. Cristóvão de Castro (?-1552)

 D. Cristóvão de Castro, era filho natural do alcaide-mor D. Rodrigo de Castro. D. Cristóvão nasceu nesta cidade em data incerta, terá sido embaixador ao Papa Alexandre VI, Deão da Capela Real, provido em Igrejas do Padroado Real, Capelão-mor da Infanta Dona Maria Manuela e em 1550 confirmado e sagrado Bispo da Guarda. Faleceu em 1552 e está sepultado na Covilhã, na Igreja de S. Francisco, na Capela dos Castros. Como Bispo da Guarda visitou quase todo o Bispado, produziu alguns diplomas e ocupou-se com o início da construção do extraordinário retábulo maneirista que se deve a João de Ruão e se encontra na Sé da Guarda.
É como capelão-mor da princesa Dona Maria Manuela, filha de D. João III e esposa do príncipe Filipe, futuro rei de Espanha e de Portugal, que o encontramos em Valladolid, donde escreveu várias cartas ao rei D. João III. (2)


Dona Maria Manuela

D. Diogo Seco (1575-1623)

"Natural da Covilhã, filho de Manoel Seco e Maria Jorge. Com 16 anos entrou no noviciado de Coimbra da Companhia de Jesus em 23 de Março de 1591 “e no mesmo colégio aprendeu Humanidades e poesia latina em que saiu eminente de tal sorte que sendo mestre da 3ª classe no Colégio de Lisboa representou no ano de 1604, na presença do Ilustríssimo Bispo de Coimbra D. Afonso de Castelo Branco, quando este chegou a Lisboa eleito Vice Rei de Portugal, uma tragédia cujo assunto era a vida de S. Antão. Fizeram as figuras os filhos dos principais fidalgos do Reino. Esta obra deu-lhe universal aplauso.
Depois de ter ditado em Coimbra, duas vezes, a classe de Humanidades, ensinou Filosofia e Teologia mostrando em uma e outra faculdade engenho, agrado e talento profundo.
Partiu para Roma no ano de 1618, para revisor dos livros da Companhia de Jesus. Aí leu teologia, sendo admirado por toda a cúria a sua profundidade Teológica e  eloquência Latina.
Como na sua pessoa concorriam tantos dotes, foi eleito Bispo de Niceia, para sucessor do Patriarca da Etiópia, o P.e Afonso Mendes. Foi sagrado a 12 de Março de 1623. Pouco tempo correu que não se fizesse à vela para o destinado termo das suas angélicas fadigas, embarcando-se a 25 do dito mês em a Nao Stª. Izabel de que era almirante D. Diogo de Castelo Branco. As infermidades que com pestífera brevidade extinguiam grande parte dos navegantes chegou a privar da vida o almirante, de cuja morte ficou tão penetrado, que passados poucos dias o acompanhou em tão funesta calamidade a 4 de Julho de 1623.
Foi insigne poeta latino de cujas poesias conservava grande parte o P.e Baltazar Teles, uma das quais sobre a frescura da Serra da Arrábida e mosteiro dos Seráficos Religiosos. ” (3)

Localização de Niceia

D. Frei Domingos Barata (?-1709)

“Natural da Erada, Covilhã.
Filho de Domingos Fernandes Gonçalves, lavrador.
Assentou praça em Cavalaria e aos 21 anos estudou em Évora gramática, filosofia e teologia e obteve uma cadeira no Colégio da Purificação.
Entrou na Ordem da Santíssima Trindade no Convento de Lisboa.
Formou-se em Coimbra e aí doutorou-se, regendo a cadeira de Teologia.
Foi Bispo Coadjutor de Évora em 1699 e Bispo de Portalegre de 22/2/1707 a 27/4/1709.” 
Está sepultado na capela-mor da Sé de Portalegre, onde podemos ler a inscrição: “Aqui yaz Dom Frei Domingos Barata bispo qve foi de Portalegre Religioso da Santissima Trindade qve fora Bispo de anel no arcebispado de Évora com o titvlo de Missenia. Faleceo em 27 de Abril de 1709”.
Escreveu sermões, como o “Sermão do Auto de Fé”, pregado na Cidade de Coimbra em 14 de Junho de 1699.


Capela-mor da Sé Catedral de Portalegre

(Continua)

Notas dos editores:
1)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/10/covilha-dom-jose-do-patrocinio-dias.html
3)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-jesuitas-ii.html

Publicações sobre a História do Bispado da Covilhã no nosso blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/04/covilha-para-historia-do-bispado-da.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/01/covilha-para-historia-do-bispado-da.html

As Publicações do Blogue:


Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue: