quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Covilhã - Notícias Soltas XI

Lembramos D. Rodrigo de Castro, alcaide-mor da Covilhã a partir de 1485. Luiz Fernando Carvalho Dias, para além da imensa documentação que possuía e que já publicámos, dele disse numa conferência relacionada com Pedro Álvares Cabral:”... D. Rodrigo de Castro, alcaide-mor da Covilhã, poeta do Cancioneiro Geral, bravo combatente de Marrocos, e embaixador especial de D. Manuel ao Papa Alexandre VI quando o mandou repreender pela dissolução da Corte de Roma…” (1)  Escreveu também: "... Durante muito tempo ausente nas guerras e governo das praças do norte d’ África" (2)
Na revista Panorama, de 1971, encontrámos um artigo de António Pedro de Sousa Leite “D. Rodrigo de Castro alcaide-mor da Covilhã e poeta do “Cancioneiro”, no qual nos vamos basear para desenvolvermos algumas facetas da vida de D. Rodrigo, já referidas por Luiz Fernando Carvalho Dias.


Arzila no século XVI
Como “bravo combatente de Marrocos” participou na conquista de Arzila ao lado de D. Afonso V, em 1471. Foi também governador de várias praças de África. (2)


Palacete dos Bórgias, em Roma
Como “embaixador especial de D. Manuel ao Papa Alexandre VI quando o mandou repreender pela dissolução da Corte de Roma”, D. Rodrigo de Castro (e D. Henrique Coutinho), em 1498, permaneceram vários dias em Roma, transmitiram ao Papa as contundentes advertências de D. Manuel e manifestaram forte oposição à governação papal de Alexandre Bórgia. Regressaram “sem trazerem resolução mais certa no principal”; mas D. Jerónimo Osório refere que mais tarde o Papa enviou presentes riquíssimos a D. Manuel. Parece, portanto, ter dado alguns frutos a embaixada dos audazes nobres portugueses.
Como “poeta do Cancioneiro Geral” é um dos 286 escritores representados nesta colectânea de 1516. Sousa Leite diz-nos que não sendo D. Rodrigo dos poetas de alto nível, apresenta variedade métrica, delicadeza de linguagem e ritmo. Vejamos uma trova, integrada num concurso, que ele fez em louvor de Dona Filipa de Vilhena:
Pera tal grado levar/ nam cuydo que he saber/ de saber ninguem louvar/ hua dama tam sem par/ como vos deos quis fazer/ E ahinda que fermosura/ manhas e gualantarya/ nam se achasse/ deveys estar bem segura/ que o mundo se rrefarya/ da que de vós sobejasse.

Janelas manuelinas da Casa de D. Rodrigo de Castro. Foi demolida em 1947,
 aquando das obras no Pelourinho.

Concluimos dizendo que D. Rodrigo de Castro, como homem do fim do século XV, princípio do século XVI, foi militar, diplomata, poeta, bom conversador, chefe de família e, claro, alcaide-mor da Covilhã.


Fonte - "Panorama Revista Portuguesa de Arte e Cultura", nº 37, IV série, Março de 1971

Notas:
1)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/09/covilha-pedro-alavres-cabral-e-belmonte.html
2)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/10/covilha-pedro-alvares-cabral-iv.html


As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html 

Notícias Soltas:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/12/covilha-noticias-soltas-x.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/11/covilha-noticias-soltas-ix.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/11/covilha-noticias-soltas-viii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/10/covilha-noticias-soltas-vii.htm
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/09/covilha-noticias-soltas-vi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/07/noticias-soltas-v_68.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/06/covilha-noticias-soltas-iv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/04/covilha-noticias-soltas-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/03/covilha-noticias-soltas-ii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/12/covilha-noticias-soltas.html      

domingo, 29 de janeiro de 2017

Covilhã- Os Bispos Covilhanenses II

Abrimos o tema Bispos Covilhanenses, porque encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta com informação preciosa sobre covilhanenses, alguns deles bispos, que sabemos teria como finalidade a organização de um Dicionário de Autores.

Enumeremos os bispos covilhanenses de que temos conhecimento:
- D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja. (1)
- D. Cristóvão de Castro, Bispo da Guarda. (2)
- D. Diogo Seco, Bispo de Niceia. (3)
- D. Frei Domingos Barata, Bispo coadjutor de Évora, Bispo de Portalegre.
- D. António Bonifácio Coelho, Bispo titular da Lacedemónia, Bispo eleito de Leiria.
- D. José Valério da Cruz, Bispo de Portalegre.
- D. Frei Ângelo Ambrósio Camolino ou Ângelo de Nossa Senhora da Boa Morte, Bispo de Elvas.
- D. Manuel Damasceno da Costa, Bispo de Angra do Heroísmo.
- D. José da Cruz Moreira Pinto, Bispo de Viseu. 
- D. José dos Santos Garcia, Bispo de Porto Amélia, hoje Pemba, Moçambique.


D. António Bonifácio Coelho (?-1780)

Castelo de Leiria

"D. António era filho de José Mendes Pinheiro e de D. Maria Coelho.
Deu aulas de Filosofia em S. Francisco, Covilhã.
Em 1770 era Bispo titular da Lacedemónia “in partibus”.
Por morte de D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa, foi nomeado, em 1779, Bispo de Leiria. Faleceu em 1780, não tendo recebido a bula de confirmação.

Segundo Fortunato de Almeida, "para executor da Bula de erecção da diocese (de Pinhel) foi nomeado, por indicação régia, António Bonifácio Coelho, professor de Cânones em Coimbra e deputado do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, sendo para o efeito nomeado Arcebispo de Lacedemónia, para quem foram pedidos ao Papa poderes para “eleger entre os templos da nova cidade de Pinhel aquele que for mais decoroso”, escolha que recairá na Igreja do Salvador, para “o ampliar e lhe unir por compra as casas que forem mais dignas de se estabelecer nellas o palácio episcopal, aplicando para isso os rendimentos da nova massa episcopal e capitular as porções que se fizeram precisas”, para estabelecer o número de dignidades, cónegos, meios cónegos e capelães que as rendas da catedral permitissem.
“Dom António Bonifácio Coelho, por merce de Deos e da Santa Sé Apostolica Arcebispo de Lacedemonia, do Conselho da Rainha minha Senhora, Inquisidor Presidente da Mesa do Santo Officio da Inquisição de Lisboa, Deputado Ordinario com exercício de Presidente da Real Meza Censoria, Vigario no espiritual, e temporal em todo o Patriarcado do Eminentissimo, e Reverendissimo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa. Ec”
Dado em Lisboa sob nosso signal, e Sello aos 27 de Julho de 1779. A. Arcebispo de Lacedemonia.
“Edital de Publicação da Benção Apostolica com indulgencia plenaria na Santa Igreja Patriarcal nos dias de Paschoa da Ressurreição, e da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Christo”. Na oficina de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor do Eminentissimo. e Reverendissimo Senhor Cardial Patriarca. Anno de 1779. fls. 256 a 259 inclus.
Também foi presidente da relação eclesiástica  e provisor e vigário geral pelo Cardeal Patriarca da Lisboa Ocidental.
Parecer do Arcebispo de Lacedemonia sobre hum casamento de consciencia. Lx. 13 de Dezembro de 1776. fls. 199 a 201. ms.
Cartas para D. Frei Manuel do Cenáculo:
Bib. de Évora cod. cxxvii/1-3
a)                                    terça-feira
b)                                    1/2/1775
c)                                    26/5/1777.
Vid. no Fundo Geral em Lacedemonia.
Fg. 8834 – “Mem.ªs do Patriarcado, vol. 3º com várias assinaturas de Coelho e até pareceres dele não identificados.

D. José Valério da Cruz (1749-1826)

Covilhã
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto Carvalho Dias
"Nasceu na Covilhã a 19 de Novembro de 1749 e faleceu a 17 de Julho de 1826.
Oratoriano. Bispo de Portalegre de 1798 a 1826.
Segundo Inocêncio, preparou em 1783 o Catecismo Romano para uso dos Párocos.
Escreveu, também, segundo Inocêncio:
- Camões defendido, o editor da edicção de 1779, e o censor desta, julgados sem paixão, em uma carta à luz, por Aletophilo Misalazão. Lisboa, na Regia Offic. Typ. 1784. 8º
BNL Cam. 656 -1.
Inocêncio refere mais, que o Camões defendido fora mandado imprimir pelo P.e António Pereira de Figueiredo, amigo do oratoriano, depois bispo de Portalegre.
- Cartas para Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, Bispo de Beja e arcebispo de Évora. (Biblioteca de Évora. Lx 8/77 1748; 26/3/1802; 22/11/ 1807; 30/4/1810; 19/7/1810
 ms.). Cartas para o Arcebispo Stª. Clara – Portalegre 2/12/ 1814.
Num estudo sobre os Bispos de Portalegre do Dr. José de Almeida Eusébio refere-se que no Seminário da referida cidade existia manuscrito um Diccionário da sua autoria.
Seguno Trigoso (cf. Inocêncio) concorrera com o seu conselho para a edição das Poesias de António Diniz da Cruz."
Adquiriu para a biblioteca episcopal muitas obras papais.
Terá sido um benemérito, pois assistiu aos operários fabris quando a Fábrica de Lanifícios fechou. Ainda no campo assistencial mandou alargar as enfermarias do Hospital.
Em 1808 Portalegre revolta-se contra os franceses formando uma Junta Revolucionária liderada por D. José Valério da Cruz.
Em 1822 foi eleito deputado por Portalegre. Foi também deputado pela Guarda.

D. Frei Ângelo Ambrósio Camolino
ou Ângelo de Nossa Senhora da Boa Morte (1777-1852)

4)
 “Nasceu em o dia 9 de Junho de 1777 na antiga e notavel villa da Covilhã, subjeita à jurisdicção do bispo Egitanense; e seos paes se chamárão Jacome Ambrosio Camolino, e Maria Joaquina, amantes da religião assim, como da patria.”
Foi estudar para Coimbra.
Em Abril de 1796 “atou-se o voto religioso” no Convento franciscano de Nossa Senhora dos Anjos, de Brancanes, Setúbal.
Em Junho de 1800 é presbítero, prega vários sermões e leu Filosofia e Teologia.
Nos tempos difíceis do liberalismo foi eleito Bispo de Elvas em Abril de 1832, lugar que não queria aceitar, mas acabando por tomar posse.
Devido às perseguições liberais retira-se para o Convento dos Capuchos  durante um tempo.
Faleceu em Lisboa, em Julho de 1852, 

D. Manuel Damasceno da Costa (1867-1922)


D. Manuel Damasceno da Costa (5)
"Nasceu na Covilhã, na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, numa casa da rua do Meio, em 2 de Fevereiro de 1867. Era filho de António da Costa Rato e de Maria do Carmo Damasceno.
Estudou no Colégio, dos Jesuítas, de S. Fiel, no Seminário da Guarda e depois em Teologia na Universidade de Coimbra.
Em Novembro de 1890 é ordenado presbítero e depois formou-se em Teologia na Universidade de Coimbra.
Na Guarda desenvolveu actividades de leccionação e pastorais.
Sendo Cónego da Sé de Viseu, foi nomeado Bispo de Angra do Heroísmo em 2 de Outubro de 1914. Angra já não tinha bispo desde 1910 (Implantação da República) pelo que a sua chegada, em 1915, encheu de alegria a população açoriana.
Procurou realizar visitas pastorais a várias ilhas, criar novas paróquias, reabrir o Seminário. Também publicou uma pastoral sobre a família e o alcoolismo e numa outra chamava a atenção para a obrigação de votar em quem não fosse contra a liberdade religiosa.
Em 1922 faleceu em Angra do Heroísmo, após um acidente com uma arma de fogo. O disparo partiu de um seu criado a quem pretendeu apartar numa desordem."

D. José da Cruz Moreira Pinto (1887-1964)

Sé de Viseu
"É natural do Tortosendo onde nasceu em 29 de Agosto de 1887.
Estudou em Lisboa no Seminário de S. Vicente de Fora e no Seminário da Guarda concluiu  Teologia.
Foi ordenado presbítero na capela do Paço Episcopal da Guarda em 16/1/1910.
Em Lovaina estudou Ciências Político-Sociais e Filosofia, mas devido ao eclodir da 1ª Guerra Mundial só fez doutoramento em Filosofia em 17/5/1921.
Regressou a Portugal tendo ido para Évora, onde foi professor e reitor do Seminário
Foi nomeado Bispo de Viseu em 9/5/1928. Aqui desenvolveu um importante papel relacionado com a formação dos seminaristas e dos sacerdotes.
A Enciclopédia refere que Plínio Salgado lhe chamou um dos maiores oradores do nosso tempo.
Faleceu em Viseu a 12 de Novembro de 1964."

D. José dos Santos Garcia (1913-2010)

Pemba - Capela-Nicho de Nossa Senhora de Fátima

Nasceu na Aldeia do Souto, Covilhã, em Abril de 1913.
Entrou na Sociedade Missionária da Boa Nova. Antes de ir para Moçambique trabalhou nos seminários de Portugal.
Foi sagrado Bispo em 1957, indo para Porto Amélia, hoje Pemba, Moçambique. Como Bispo a sua pastoral tinha como prioridade a formação do clero, dos leigos e de religiosas.
Regressou a Portugal em 1974, passando a colaborar com a Diocese da Guarda. Também escreveu livros, como "Alicerce e construção duma igreja africana".
Em 2006 recebeu a medalha de ouro da cidade da Covilhã.
Em 12 de Maio de 2010 ainda participou nas Vésperas com Bento XVI, na Igreja da Santíssima Trindade, Fátima.
Faleceu em Dezembro de 2010. (6)

Notas dos editores 1)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/10/covilha-dom-jose-do-patrocinio-dias.html
3)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-jesuitas-ii.html
4)Arquivo Distrital de Setúbal, Convento de Brancanes
5)Costa, Susana Goulart, "Retratos dos Bispos de Angra" 
6)Agência Ecclesia, Dezembro de 2010

Outras publicações: 
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/05/covilha-bispos-covilhanenses-i.html

Publicações sobre a História do Bispado da Covilhã no nosso blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/04/covilha-para-historia-do-bispado-da.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/01/covilha-para-historia-do-bispado-da.html

As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:

domingo, 1 de janeiro de 2017

Covilhã - Instituições Primitivas de Solidariedade Social IV



Encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias, uma Carta de D. Afonso V sobre mais uma Confraria, a de São João de Mante em Collo, constituída, em época anterior, por trinta confrades com obrigações várias. Dado que a dita confraria se desfez, a administração dos seus bens vai ser entregue a Álvaro Fernandez, em 1480.


A cidade da Covilhã, a partir do Pisão Novo

Administraçam dos bêes da comfraria de sam Joham de mante em collo que he na villa de covilhaa a aluaro fernandez


Dom Afomso etc. A quamtos esta nossa carta virem fazemos saber que a nos disseram que em huua jgreja da uilla de couilhaa que se chama sam Joham de mante em collo fora hordenada huua comfraria em a qual auia trinta comfrades e se deziam em ella misas em cada huu anno com çirios açesos e outras solenidades pollas almas daquelles que em ella seus bêes leixaram per que se todo fazia e comtaua e que ora a dita comfraria era de todo desfeita e nam auia hy senam dous outros comfrades os quaees nam mandauam dizer as ditas misas nem fazer outras cousas que pellos defumtos foram hordenadas mas ante deram os bêes a seus filhos em casamento e delles uemderom e desbarataram e emlhearam e fezeram o que lhes aprouue e que por ello e por bem das hordenações por os ditos bêes serem profanos e pertemçiam a nos e os podiamos dar a quem nossa merçe fose Pedimdonos por merçee aluaro fernamdez escudeiro de Ruy gomçaluez comtador em a çidade da Guarda que por asy a dita comfraria seer desfeita e os bêes serem todos desbaratados e emlheados lhe fezesemos merçee daministraçã e bêes da dita capella comfraria e elle a queria ministrar fazer E nos vemdo o que nos asy dizer e pedir emuiou amte de sobre ello darmos outro alguu liuramento e sabermos se pertemçia a nos de direito darmos tal aministraçam mãdamos sobre ello primeiramente tirar Jmqueriçam e fazer uir peramte nos a dita Jmstituiçam as quaees vistas per nos e a delligemçia que se sobre ello fez e como a primeira fumdaçam da Jmstituiçam he tal que se lleer nam pode toda e pello que se nella lee nam se mostra cousa que empache nem aja de empedir a nos que a nam ajamos de proueer pois que os bêes sam profanos e se mostra per a dita Jmqueriçam sobre esto tirada que os ditos bêes andam em alheados sem se comprir as cousas de que sam emcarreguados. E ora queremdo nos fazer graça e merçee ao dito aluaro fernamdez vista per nos a dita Jmqueriçam Teemos por bem e fazemos lhe merçee dos ditos bêes da dita comfraria e aministraçam com tanto que elle seja obriguado de demandar e desemlhear todollos bêes que andam emlheados e os fazer emcorporar em a dita aministraçam segumdo que primeiramente andauã. E mais seja obriguado a fazer cantar em cada huu anno dez misas ao menos pollas almas dos pasados que a dita comfraria fundarom e dotarom de seus bêes segumdo que amtiguamente se fazer soya e os ditos bêes e proueedor delles eram obriguados e ao presemte sam e bem asy que a casa com seus leitos e camas se corregua e Repaire Refaça forneça e mantenha pera os viandantes serem alberguados em tal modo e forma que o que amtiguamente se fazia e oje em dia fazer dano seja sempre acreçemtado e numca minguado. E porem mãdamos a todollos nossos Corregedores juizes e justiças ofeçiaees e pesoas a que ho conheçimento desto pertemçer per qualquer guiza que seja que esta nossa carta for mostrada que semdo os ditos comfrades e pesuidores dos ditos bêes ou pellos a que ho conheçimento desto pertemcer çitados e ouuidos. dada em villa viçosa dous dias do mês dagosto El Rey ho mãdou pello doutor Joham teixeira viçe chamceller do seu comselho etc e pello doutor Johã deluas Joham Jorje a fez anno do nascimento de nosso Senhor Jhesu christo de mil iiijc lxxx.

Fonte - ANTT – Livro 1º da Beira, fls 95 vº

Igreja de São João de Martir-in-colo,
 também denominada São João de Longe,

 situada no Lar de S. José.

Carvalho Dias refere nas suas reflexões: "Do século XV podemos fixar a existência, que não a fundação, de outro hospital: o Hospital de São João de Longe que nada tem a ver com a Casa de Saúde, de vida efémera, aberta durante a peste que assolou a Covilhã no fim do século XVI, nem com a velha Igreja de Malta, da Ordem de São João do Hospital." Esta informação leva-nos a relacionar a comfraria de sam Joham de mante em collo  com este Hospital.

As Publicações do Blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html 

Artigos sobre o mesmo tema, no nosso blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/07/covilha-instituicoes-primitivas-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/06/covilha-instituicoes-primitivas-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/05/covilha-instituicoes-primitivas-de.html

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Covilhã - Notícias Soltas X


Covilhã - A Casa da Câmara e o Pelourinho

A propósito do auto de 1613 de abertura dos alicerces para a nova Câmara, encontrámos várias reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias, relacionadas com o local de funcionamento da Câmara da Covilhã.

Em "Covilhã - Subsídios para o estudo da sua Heráldica de Domínio", Carvalho Dias informa-nos que "A pedra de Armas mais antiga que se conhece estava enxertada nos muros da antiga Câmara e datava de 1613, data da reedificação. Mas a pedra não era homogénea [...]
          [...] O edifício porém que as armas enobreciam sabemos ser parte de 1613, e outra parte dele, mais antigo, de 1518. Foi nesta última data que o Concelho se transferiu do alpendre de Santa Maria do Castelo para a beira da muralha, frente ao pelourinho." (1)
   
Eis a Inscrição de 1518: 

Inscrição da primeira Câmara de D. Manuel, na parede que subia do poço dos cavalos para o Arco do Pelourinho (da Covilhã):

Ho.LDO. António Corea. Cavaleiro / Da.Orde(m) de Xps (Cristo). Coregedor Desta Co/Marca Por El Rei Domanuel Nosso / Sor mãdou fazer Esta Obra Ano de 1518/

(Informação deixada por Carvalho Dias: Vidé. Na chancelaria de D. Manuel a nomeação para corregedor da Guarda do Lic. António Correa e dos encarregados das obras da Covilhã pelo mesmo Rei.) (2)

No espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias encontrámos este auto de 1613 de abertura de "os alliceses das obras que novamente se fazem na dita villa por provisão de Sua Magestade a saber Casa da Camera e audiencia e torre do Relogio e Cadeia":




Leitura do documento: auto que mandaram fazer o Licenciado João Roiz da Costa, Jujz de fora em esta notavel Villa de Covilham e seo termo por Sua Magestade e dioguo de serpa da sillva affonso botelho guerra vereadores em ella e pero falcão tavares precurador em a dita Camera,

anno do nascimento de nosso Senhor Jesu Christo de mill seiscentos e treze annos aos vinte e hoito dias do mes de Setembro do dito anno em a notavel villa de Covilham aas portas da villa que estão pera o pelourinho ahi foraõ juntos o Licenciado João Roiz da Costa juiz de fora com allcada por ell Rey nosso Senhor na dita villa e seu termo e dioguo de serpa da sillva e affonso botelho da Guerra vereadores e pero ffalcão tavares procurador da camera o presente anno nesta dita villa e por elles juiz e vereadores foi mandado abrir os alliceses das obras que novamente se fazem na dita villa por provisão de Sua Magestade a saber Casa da Camera e audiencia e torre do Relogio e Cadeia os quaes alliceses mandaram abrir pello mestre das ditas obras gonçallo Sanches para se fazerem as ditas obras conforme a obrigação e arrematação que estava feita e de tudo mandavam fazer este auto que todos assinaram e declaro que conforme a aRematação que lhe foram feitas ao dito Gonçalo Sanches mestre das ditas obras e conforme as ditas meças e pello dito Juiz e Vereadores e procurador da camera foi lançado a primeira pedra para se fazerem as ditas obras de que eu escrivão dou fee de tudo passar na verdade.
       aa)  Botelho   Costa   tavares    Serpa

e declaro que stavão presentes os misteres da dita villa francisco allez domingos lourenço e luis dallmeida tabelião do judicial e francisco fernandes polo fellipe guomes tesoureiro da dita villa e allvaro gaspar e jorge ferreira e bertollameo de gois que todos foram testemunhas que assinaram e eu dioguo sardinha escrevão da Camera o escrevi.

aa) djoguo sardinha        Bertollameo de gois     jorge fr.ª   Francisco Frz    Francisco Allz     Domingos Lçº

Câmara Filipina
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Vejamos o que dizem os monografistas sobre este assunto:

Monografia de Padre Manuel Cabral de Pina

"Tem mais esta vila os Paços da Câmara, todos de cantaria lavrada, e são de muita grandeza e teem janelas de sacada, com grades de ferro, e fazem notável vista para o Terreiro do Pelourinho. Sobre eles se levanta uma alta torre, também de cantaria lavrada, na qual há dois sinos, um é do relógio da vila e o outro é de tanger à ronda e funções da Camara, os quais sinos, pela sua qualidade, são dos mais excelentes da província." (3) 

Memória das Fábricas da Covilhã

Tem a vila 954 fogos; 3.481 pessoas; excelentes edifícios, e casas particulares: de todos o mais majestoso é o da Câmara e cadeia, que formada nos muros sobre a porta da vila, que é de abóbada, tem 9 janelas rasgadas, dominando um grande terreiro; no meio está uma muito grande pedra lavrada em oitavo e no cimo faz a figura duma roca; no meio do edifício estão esculpidas as armas reais; e também no mesmo sitio foi fabricada a torre do relógio, com este para Nascente, e outro sino para o Norte, que serve de tocar à Câmara, audiência, ronda e mais funções. Também no dito terreiro se faz Praça quotidiana de todos os géneros de alimento e mercado ou feira no terceiro domingo de cada mês; e no cimo junto às escadas tem um chafariz com água em abundância por duas bicas. (4) 


 Memória da Covilhã de João Macedo Pereira Forjaz

 A casa da Câmara é no sítio do pelourinho, é boa e está bem asseada, e além dos vereadores e oficiais do costume tem por provisão 24 homens do povo, que assistem às principais deliberações e funções que ali se fazem. Os seus rendimentos são poucos e, por isso, se tem valido da provisão para arrematar as tabernas, com que tem feito calçadas e outras obras úteis.
      O livro das posturas da mesma Câmara não contém cousa que se não encontre em todas as do Reino e portanto, me parecem desnecessárias as suas análises.
      A cadeia, fica unida à Casa da Câmara e sendo uma das melhores da comarca (23) não deixa de ter as incomodidades que padecem as de Portugal, muito principalmente quando os Magistrados não velam sobre os sagrados direitos da humanidade, o que sucede de ordinário, verificando-se também na mesma a fiel e enérgica pintura, que Filangieri faz das cadeias do seu país.


23) Consta da provisão que se acha no arquivo da Camara da dita vila, mandada passar em Moura pelo Infante D. Luis, em 9 de Outubro de 1536, passarem os prezos do Castelo donde estavam para a Cadeia nova; e esta provisão se passou a requerimento de D. Diogo de Castro, alcaide-mór da sobredita vila, cuja alcaidaria se conserva ainda hoje na Casa do visconde de Barbacena, seu descendente; e por isso a cadeia parece ser outra, porque a que hoje existe, se lhe abriram os alicerces, assim como para a casa da Camara, e torre do relógio, em 1613, por provisão de D. Filipe 2º. (5)

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Apresentamos ainda um documento dos finais do século XV, autorizando o alcaide-mor, D. Rodrigo de Castro a "fazer hûuas casas no muro da villa de covilhãa comtra o arevalde homde esta a judaria ":

A Câmara Filipina, a Fonte de três Bicas, a "Casa da Hera"

Dom Rodrigo de Castro e a "Casa da Hera" 
(No muro da vila)  

   " A dom Rodrigo de crasto liçença pera fazer hûuas casas no muro da villa de covilhãa comtra o arevalde homde esta a judaria 

Dom Joham e etc. A quamtos esta carta virem fazemos saber que dom Rodrigo de crasto do nosso Conselho e alcayde moor pello duque de beja nosso muyto prezado e amado primo da villa e fortelleza da villa de covilhãa nos dise que no muro da dita villa comtra o arevalde homde esta a judaria estavam damtigamente fumdadas huuas casas as quaaes estavam daneficadas e desejamdo elle de ter booas casas e por elle hj achar lugar desposto pera ellas as começou e as queria ali fazer e que por quamto lhe era dito que as nom poderia fazer no dito muro sem nossa liçemça nos pedia por mercee que lhos outorgassemos e visto per o dito duque nos pedir que lha dessemos praz nos darmos como de feito per esta damos licemça e lugar ao dito dom Rodrigo que elle possa fazer e acabar as ditas casas no muro da dita villa homde as tem começadas. E em testemunho dello e por sua guarda lhe mandamos dar esta carta assynada per nos e assellada do nosso sello pemdemte dada em a nossa cidade devora a doze dias do mes de mayo pero de torres a ffez anno do nacimento de nosso Senhor Jhesu christo de mjll e quatroçemtos e novemta."     (6)

Na "Casa da Hera" hospedava-se D. Luís, Senhor da Covilhã, quando vinha em visita à Vila. 


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A Janela manuelina, da "Casa da Hera", que andou desaparecida durante muitos anos.
O investigador Carvalho Dias, numa conferência sobre Pedro Álvares Cabral, diz-nos: 

[...] "É natural que Pedro Álvares Cabral tivesse visitado várias vezes as propriedades paternas na Covilhã e no seu concelho e se tivesse reunido com o irmão e os sobrinhos no velho Palácio de D. Rodrigo de Castro, heróico Governador de Tânger, encostado à muralha da Covilhã, e olhado da janela manuelina que tantos de nós ainda conhecemos, o Pelourinho, a fértil várzea do Zêzere, a Judiaria da Covilhã donde saíram os astrólogos Diogo Mendes Vizinho, os irmãos Faleiros e os Ximenez, estes origem de banqueiros europeus e de aristocratas romanos da Renascença; as oficinas primitivas dos teares covilhanenses e os tintes e pisões que então começavam a aflorar nas margens da ribeira de Goldra e, ainda lá longe, olhasse a silhueta aristocrática do velho Paço de Belmonte e suas futuras propriedades do Sarzedo. " [...] (7)


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Algumas imagens da Praça do Município:






Praça do Município, hoje

A Praça do Município ou do Pelourinho, assim chamada porque nela estava a "Casa da Câmara" e um pelourinho desaparecido em 1863. Aqui havia um fontanário de três bicas, removido aquando das obras do século XX, mercado e festas ao longo do ano, farmácias, igrejas, teatro, coreto, cafés, pastelarias e casas de habitação. Em 1958 esta praça sofreu várias transformações, tendo desaparecido a câmara filipina, substituída pelos actuais Paços do Concelho. Em 2002 verificaram-se novas modificações com a inauguração do silo-auto.

Notas: - 1)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/05/covilha-subsidios-para-o-estudo-da-sua.html
2) http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/05/covilha-o-4-aniversario-do-nosso-blogue.html 
3)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/10/covilha-memoralistas-ou-monografistas-xi.html 
4)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/01/covilha-memoralistas-ou-monografistas.html
5)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/11/covilha-memoralistas-ou-monografistas-iv.html 
6)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/04/covilha-alcaidaria-iii.html
7)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/10/covilha-pedro-alvares-cabral-iv.html
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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Covilhã - Notícias Soltas IX

   Belmonte está a celebrar os 601 anos da Conquista de Ceuta com uma Exposição “Ceuta Ontem. Ceuta Hoje. 600 anos de Encontro de Culturas entre Atlântico e Mediterrâneo”, de 13 de Novembro a 17 de Maio de 2017. É uma co-produção entre o Museu dos Descobrimentos e Parque Temático do Porto, a Cidade Autónoma de Ceuta e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Pretende lembrar a Conquista de Ceuta, em 1415, no reinado de D. João I, na qual participaram os Infantes e muitos nobres. Entre os Infantes estava obviamente o Infante D. Henrique, 1º Senhor da Covilhã e dentre os milhares de nobres, o bisavô de Pedro Álvares Cabral - Luiz Álvares Cabral.
Nesta Exposição está patente a "Crónica da Tomada da Cidade de Ceuta por Dom João I", de Gomes Eanes de Zurara:

Crónica da Tomada da Cidade de Ceuta (ANTT)
Recordemos um passo da obra do cronista-mor Gomes Eanes de Zurara:

"(...) Já passavam de sete horas e meia depois do meio dia, quando a cidade foi de todo livre dos mouros. (...) As outras Companhias [de soldados portugueses], não tinham maior cuidado doutra coisa que de apanharem o esbulho. (...) Muitos que se acercaram primeiramente naquelas lojas dos mercadores que estavam na rua direita, assim como entraram pelas portas sem nenhuma temperança nem resguardo, davam com suas facas nos sacos das especiarias, e esfarrapavam-nos todos, de forma que tudo lançavam pelo chão. E bem era para haver dor do estrago, que ali foi feito naquele dia. Que as especiarias eram muitas de grosso valor. E as ruas não menos jaziam cheias delas (...) as quais depois que foram calcadas pelos pés da multidão das gentes que por cima delas passavam, e de si com o fervor do sol que era grande, davam depois de si muy grande odor. (...)"

O Infante D. Henrique em Ceuta
Painel de Azulejos de Jorge Colaço, Estação de S. Bento, Porto

Vejamos o que nos diz Luiz Fernando Carvalho Dias sobre a Família Cabral, inclusivé o guerreiro de Ceuta Luiz Álvares Cabral  e Belmonte:

"... Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, filho de Fernão Cabral, como refere, entre outros, o ilustre Barros na 1ª Década da Índia, levou consigo, dos seus maiores, à bela terra da Vera Cruz a fidelidade da sua Raça, personificada na Grão liberdade dos alcaides mores do Castelo de Belmonte, na isenção de prestar menagem.
            Singular privilégio esse, de nossos Reis confiarem aos Cabrais, sem garantia, uma das mais importantes fortalezas da Beira, chave defensiva do Vale do Zêzere e bastião duma linha de outras nobres fortalezas, carregadas de história, que desciam da Guarda por Sortelha à Covilhã e do Sabugal a Penamacor, Penha Garcia, Salvaterra e Segura, e do Rosmaninhal até ao Tejo!
            Singular privilégio, repito, numa época de tradição feudal onde os laços de vassalagem eram mais fortes do que os laços da pátria e os grandes senhores se permitiam o direito de eleger suserano mesmo que fosse o estranho Rei.
            A menagem, acto jurídico garantido pela honra, era o laço a unir o suserano ao vassalo.
            Isentar um súbdito de prestar menagem poderia classificar-se de acto de confiança pessoal e normal, mas dispensar toda uma geração de o fazer pressupunha já o reconhecimento público de fortes laços de solidariedade familiar assentes num conceito social de honra, que não admitia quebra.
            Em Portugal só a Casa de Marialva gozava de idêntico privilégio e exclusivo aos castelos de Numão e de Penedono.
            Tratava-se assim de um privilégio familiar e privilégio tão excelente cuja génese merece honrosa evocação nos factos centenários de quem o honrou nas horas altas e sobretudo nas horas aziagas. Sem documento coevo donde conste a isenção, ao contrário do que sucede com os Marialvas cuja carta régia de concessão ainda hoje existe, presumimos que este privilégio tenha advindo aos Cabrais da fidelidade de Álvaro Gil, alcaide - primeiro da Covilhã e depois da Guarda, no tempo de D. Fernando e depois no interregno - honrado escudeiro da Crónica de Fernão Lopes que, contra todos os fidalgos da cidade aliciados pelo bispo D. Afonso Correia, se recusou a entregar a fortaleza a D. João de Castela, marido da princesa Beatriz e genro da “ flor d’ altura “.
            Sabemos, contudo, ter sido Fernão Cabral, pai de Pedro Álvares, o primeiro Cabral a invocá-lo. Este, desde 1449 presidia à alcaidaria-mor de Belmonte e o Rei, quando lhe a doou de juro e herdade em 1464, autenticou nessa fonte não só serviços dele, mas os de seu pai e de seu avô, o que permite concluir que tal privilégio viesse na herança de Álvaro Gil e se instituísse depois em Belmonte com o bisavô de Pedro Álvares, ou seja com Luiz Álvares Cabral.
            Como serviram os Cabrais o princípio da fidelidade e quais as ligações desta nobre estirpe com a província da Beira? Eis o escopo do meu estudo, atentos os laços que ligam o Descobridor do Brasil à pequena pátria de todos nós, a Província da Beira, que Gil Vicente, mais tarde escolheria para representar a fama lusitana.
            Álvaro Gil Cabral, da família do Bispo da Guarda D. Gil, morreu em Coimbra em 1385, a seguir às Cortes de aclamação de D. João I, nas vésperas de Aljubarrota. Os seus bens transferiram-se logo para seu filho Luiz Álvares em Outubro desse ano, como consta da carta régia que confirmou tal doação. Mas de tais bens não constava a alcaidaria de Belmonte nem a da Guarda.
            Luiz Álvares só veio a radicar-se em Belmonte cerca de 1401 (Era de 1439) para receber a administração do morgadio de Maria Gil, constituído por bens na Covilhã e em Belmonte, anteriormente doados por El Rei D. Pedro ao referido D. Gil, mas só foi alcaide de Belmonte depois de ter cessado, por escambo, o domínio da mitra de Coimbra naquela vila e ainda o senhorio de Martim Vasques da Cunha ao ausentar-se para Castela em fins do século XIV.
            Luiz Álvares Cabral esteve na Tomada de Ceuta em 1415, como assevera Zurara; foi vedor do Infante D. Henrique e possuiu ainda Valhelhas, Manteigas, Vila Chã de Tavares e alguns bens em Azurara da Beira. Consta de um documento, ainda    inédito do arquivo da Câmara de Manteigas, que tinha casas em Belmonte  antes de ser alcaide-mor do Castelo.
            Faleceu entre 11 de Agosto de 1419 e 31 de Julho de 1421.
            Está documentada a sua residência em Belmonte em 1405, 1408, 1411 e 1419..." (1)

1)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/08/covilha-pedro-alvares-cabral-e-belmonte.html

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Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
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